<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288</id><updated>2012-01-26T09:52:14.724-08:00</updated><category term='Jazz'/><title type='text'>Casa do Quengo</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>37</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-1911369433250753192</id><published>2011-06-25T19:37:00.000-07:00</published><updated>2011-06-25T19:43:05.379-07:00</updated><title type='text'>A Máquina II</title><content type='html'>Só para cumprir a palavra, a série continua... e acaba aqui!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você que se perguntou: será que a autora estava pensando nessas coisas na hora de escrever o seu livro ou será que isso tudo é viagem de professor. Aí vão algumas reflexões para movimentar estas ideias e ventilar novos ares na área!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os autores, no geral, não são criaturas mágicas que surgem da noite pro dia ou que brotam de cogumelos gigantes em chamas na Babilônia. São mulheres e homens indubitavelmente interpelados pelo seu tempo. Mikhail Bakhtin, um teórico russo bem importante, nos lembra que as palavras são tecidas a partir de uma multidão de fios ideológicos e servem de trama a todas as relações sociais em todos os domínios da vida humana. É percorrendo as marcas desses fios entrelaçados num todo estético – a obra – que interessa pensar na maneira como o texto representa a condição brasileira na literatura. Sobre isso, um outro teórico chamado João Almino escreveu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor, fiel a sua própria subjetividade, não poderá deixar de ser homem ou mulher de seu tempo e de sua terra, o que legitima a análise do contexto de suas obras. Colocando-as umas ao lado das outras, o ensaísta literário pode vislumbrar a teia cultural e o chão histórico que as une, considerando válido organizá-las e comentá-las segundo critérios histórico-sociais e estéticos, mesmo que esses critérios não tenham consciente ou explicitamente guiado os poetas e ficcionistas no momento da criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viu só, cara/o amiga/o! Mesmo quando não queremos somos capazes de revelar as marcas do nosso tempo, já que é ele que nos constitui. Quando chegamos ao mundo, ele já estava funcionando há muito tempo. Nós somos inseridos numa lógica que está presente na forma de pensar e de nos relacionar. Isso não significa, porém, que somos marionetes da História, robôs que agem sem pensar. Significa que as nossas relações são marcadas pela História, da qual nós também somos agentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, vemos na obra de Falcão um choque entre o atraso, o arcaico, simbolizado por Nordestina, uma cidadezinha do interior que sequer encontra lugar no mapa; e o progresso, a modernidade, representado pela metrópole, o Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;Nordestina, “lugarzinho sem futuro”, é o lugar do qual todos estão indo ou já foram embora (“Nordestina se dividia entre os que estavam indo embora de lá, os que estavam preocupados com isso e Antônio, que não estava indo embora mas também não estava nem aí”). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antônio, personagem principal, além de ser o menino do café, o número 19 da folha de pagamento da prefeitura, o filho mais velho de dona Nazaré, é uma espécie de operário das sobras dos que partem de Nordestina, restos que simbolizam as sombras dos antigos habitantes. Em sua oficina encontram-se os mais diversos trastes, os quais Antônio conserta sem saber para que nem para quem. Por isso mesmo ele parece ser o único que resiste em sair da cidade. Ele preserva esses objetos como que para preservar a memória do povo e para garantir a sobrevivência de Nordestina. Será?&lt;br /&gt;Abraço e boa leitura!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-1911369433250753192?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/1911369433250753192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2011/06/maquina-ii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/1911369433250753192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/1911369433250753192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2011/06/maquina-ii.html' title='A Máquina II'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-2459195065038860825</id><published>2011-05-15T13:51:00.000-07:00</published><updated>2011-05-15T13:54:41.325-07:00</updated><title type='text'>A última borboleta</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-rHf_QncSUXs/TdA9i2iUIdI/AAAAAAAAAIY/hx5tqwO0kes/s1600/borboletas_1941.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 226px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-rHf_QncSUXs/TdA9i2iUIdI/AAAAAAAAAIY/hx5tqwO0kes/s320/borboletas_1941.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607049205040554450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A última borboleta voou&lt;br /&gt;Saiu girando em espirais&lt;br /&gt;Sinuosa num vôo leve e seguro&lt;br /&gt;Vôo de quem sabe o alcance das asas,&lt;br /&gt;De quem tem a destreza da liberdade&lt;br /&gt;De quem sente o cheiro-norte da flor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hordas de miseráveis a seguiam&lt;br /&gt;Buscando caminhos&lt;br /&gt;Crendo num destino seguro&lt;br /&gt;Iam cegos, guiados pela borboleta solitária&lt;br /&gt;Que ignorava o choro e o ranger dos dentes&lt;br /&gt;Que só pensava em voar, em girar&lt;br /&gt;Como rodas gigantes e moinhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hordas de miseráveis em fúria&lt;br /&gt;Abandonando o mundo vazio&lt;br /&gt;De flores-garrafas-pneus&lt;br /&gt;E sementes de podridão&lt;br /&gt;Que se multiplicam&lt;br /&gt;Em terrenos baldios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outrora a borboleta pairava&lt;br /&gt;Sobre as águas borbulhantes do aterro&lt;br /&gt;Tornava a tragédia bela&lt;br /&gt;Estetizava o feio numa perversa ternura&lt;br /&gt;Entre fome, tristeza e crua esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pousada na lata amassada&lt;br /&gt;Compôs um belo quadro do lixo&lt;br /&gt;Cores vivas contrastando como cinza&lt;br /&gt;Que cheirava a morte e destruição&lt;br /&gt;Levantou vôo e foi buscar novas cores&lt;br /&gt;Novos ares, aromas, amores&lt;br /&gt;Seguida pela multidão cega e triste&lt;br /&gt;Que sonha com um mundo&lt;br /&gt;Colorido de borboletas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-2459195065038860825?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/2459195065038860825/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2011/05/ultima-borboleta.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/2459195065038860825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/2459195065038860825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2011/05/ultima-borboleta.html' title='A última borboleta'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-rHf_QncSUXs/TdA9i2iUIdI/AAAAAAAAAIY/hx5tqwO0kes/s72-c/borboletas_1941.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-9191300876936715415</id><published>2011-05-09T11:47:00.000-07:00</published><updated>2011-05-09T12:02:44.896-07:00</updated><title type='text'>A Máquina I</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-HNhGZh3wLZo/Tcg6KxkQ0iI/AAAAAAAAAIQ/7-dOa8cSysE/s1600/maq.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 184px; height: 274px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-HNhGZh3wLZo/Tcg6KxkQ0iI/AAAAAAAAAIQ/7-dOa8cSysE/s320/maq.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5604793693041119778" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A máquina I&lt;br /&gt;A leitura do romance de Adriana Falcão recomendada aos meus alunos motivou-me a começar uma série de postagens com algumas reflexões que podem ajudar a esclarecer, a levantar questionamentos, a suscitar embates intelectuais, emocionais, de ordens diversas. Espero que as postagens sirvam para enriquecer o debate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra de Adriana Falcão, de 1999, interessa-me especialmente por dois pontos. O primeiro deles recai sobre um dilema estruturante das narrativas latino-americanas – a dialética do atraso e do progresso, do arcaico e do moderno, do local e do universal, que, a meu ver, no romance é claramente ilustrado. O segundo ponto trata do que Guy Debord chamou “sociedade do espetáculo”, inevitavelmente ligado aos conceitos de mercadoria e fetichismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, os textos que se seguirão estarão versando sobre esses pontos, na esperança de que faça da leitura dA máquina um espaço de diálogo, reflexão e atitude diante da vida.&lt;br /&gt;Abraço e felicidades!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A migração às avessas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visto superficialmente A Máquina pode parecer, à primeira vista, uma divertida e inocente fábula sobre o amor e o tempo. No entanto, se nos permitirmos uma visada mais demorada e mais analítica, notaremos questões mais profundas e problemáticas merecedoras de um justo debate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O romance trata da aventura de Antônio no intento de ir buscar o mundo para dar de presente para Karina, por quem é apaixonado. Esse mote é narrado a partir de uma voz aparentemente distanciada que fala do que um tempo “longe que só a gota”, no qual os personagens vivem suas peripécias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antônio possui uma relação bastante peculiar com o tempo. Uma proximidade que, inclusive, serve como estratégia para a realização da missão a que se propõe. Essa intimidade de Antônio com o tempo gera a coexistência de temporalidades – presente, passado e futuro – fato que adquire um valor simbólico peculiar sob nossa ótica. Em estudo de 1973, intitulado Literatura e subdesenvolvimento, Antonio Candido, um crítico literário de grande importância em nossas letras, afirma que a coexistência do atraso e do progresso são marcas da história latino-americana. Trata-se de um atraso causado pela condição extrema de dependência econômica, política, mas também literária, cultural. Dessa maneira, a eficácia estética dos textos deixa entrever as marcas dessa dialética no trabalho operado pelos autores, enredados inevitavelmente numa dinâmica histórica que passa a ser internalizada na obra, tornando-se igualmente interna, constitutiva da fatura do texto. Ou seja, no trabalho artístico pode-se perceber questões que influenciam diretamente no nosso modo de viver e de perceber o real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, quando o romance de Adriana Falcão traz a simultaneidade de planos temporais, parece-nos uma dica de que também entre nós, na materialidade de nossas experiências sociais, também parece haver a coexistência de tempos, de realidades históricas, que apontam fundamentalmente para a nossa complexa história formativa. Basta lembrar que o Brasil surge num contexto de expansão de uma lógica que dá curso ao que hoje chamamos capitalismo, mas para isso precisa se valer de práticas arcaicas como o latifúndio e a escravidão. Isso quer dizer que para o mundo avançasse era necessário que outros mundos amargassem o atraso, a exploração. Essa é a nossa história.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E você deve estar se perguntando o que é que tudo isso tem a ver com A Máquina? Ou será que a Adriana Falcão estava pensando nessas coisas na hora de escrever seu livro? Vejamos nos próximos debates...&lt;br /&gt;Abraço, companheiros!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-9191300876936715415?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/9191300876936715415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2011/05/maquina-i.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/9191300876936715415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/9191300876936715415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2011/05/maquina-i.html' title='A Máquina I'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-HNhGZh3wLZo/Tcg6KxkQ0iI/AAAAAAAAAIQ/7-dOa8cSysE/s72-c/maq.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-380886115591569715</id><published>2011-05-09T11:41:00.000-07:00</published><updated>2011-05-09T11:46:30.956-07:00</updated><title type='text'>Reflexões sobre Educação</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-ukxp6EyL_0A/Tcg2dMO84nI/AAAAAAAAAII/Hr2MOgSf9wQ/s1600/escola.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-ukxp6EyL_0A/Tcg2dMO84nI/AAAAAAAAAII/Hr2MOgSf9wQ/s320/escola.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5604789611390624370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho afirmado, sem medo das conseqüências, que a educação pública brasileira passa por uma verdadeira crise. Pessimismo à parte, considero que um momento de crise é sempre importante para a evolução. É, como a etimologia já indica, momento de decisão, de mudança. As atrocidades que vemos e ouvimos diariamente são o grito desesperado de uma instituição carente de profundas transformações, de alterações significativas no sentido de fazer com que ela volte a ter significado. Sim, porque o que se nota é que a escola precisa ser ressignificada, precisa repensar o seu papel num mundo cujos valores destoam dos modelos nos quais a maioria de nós fomos formados. &lt;br /&gt;Os professores há muito não representam autoridade. Pelo contrário, parecem cambaleantes nesse entrelugar, misto de psicólogo, de conselheiro tutelar, de policial, de pai e mãe, quando estes faltam em suas vidas. Os discursos professorais que, quando o puro vigor pedagógico falhava, se utilizavam das provas e recuperações como instrumentos de barganha, de negociata, agora soam frágeis diante de uma educação facilitadora que se esforça apenas em comprovar com índices e tabelas a redução das retenções nas escolas de todo o país. Estatísticas que escamoteiam a real condição de um sujeito que vê diante de si uma função de 2º grau sem sequer reconhecer as operações essenciais, impossibilitado de redigir um texto simples contando sua história de privação e exclusão. E essa história precisa ser contada...&lt;br /&gt;Falo de realidades de sala de aula que tenho acompanhado onde os professores se sentem frustrados por não conseguirem, apesar de tanto empenho, um espaço de diálogo, um momento de atenção, um lampejo de curiosidade. Não aquela curiosidade que nos deixa meio desconsertados e nos força a estudar mais para surpreendê-los, mas perguntas, ainda que primárias, que demonstrem o mínimo de vitalidade. Vitalidade que lhes foi roubada por uma escola, produto de uma história de exclusão e privilégios, que mortifica dia a dia os sujeitos amontoados e distribuídos entre projetos que, como promoções-imperdíveis-tipo-casas-bahia, prometem aceleração, progressão e sucesso e só promovem atraso, deficiências e obstáculos.  É quase impossível que alunos que, magicamente, pulam da 5º série para o Ensino Médio acompanhem o processo e logrem êxito, posto que as habilidades e competências necessárias para aquele momento da vida foram rabiscados de sua lista, agora transformada numa interminável relação de preconceitos e discriminações a serem enfrentadas.&lt;br /&gt;Faço também deste texto um espaço de homenagem às professoras e professores que se embrenham na estrada sinuosa da sala de aula, que reinventam a cada dia o seu jeito de ensinar e aprendem com esses abalos. Homenageio não por simples elogio ao mérito, mas porque diariamente eles demonstram o que é coragem, esperança e dão pistas de como mudar a realidade.&lt;br /&gt;O fato é que há uma série de questões a serem enfrentadas: o aluno desinteressado, numa escola desinteressante, com professores desmotivados, é levado ao fracasso; os alunos pouco interessados numa escola que pouco lhes proporciona como espaço de crescimento é, muitas vezes, arrastado pela mediocridade reinante de uma lógica minimalista; o aluno empenhado, com desejo de crescer e de enfrentar sua exclusão, em detrimento da escola e dos professores que possui é um milagre. E, embora eu acredite em milagres, prefiro a vivência da religiosidade que diz “o Reino é aqui; é o agora”, que entende que a luta é parte necessária do processo. É enfrentando a realidade que damos o primeiro passo na direção da mudança. De minha parte, estou lutando o bom combate e me empenho em fazer chegar o mais longe que puder as vozes silenciadas pela lógica da exclusão, da marginalização, do desdém do poder público, pois como questiona Drummond, “posso sem armas revoltar-me?”. Sim, podemos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-380886115591569715?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/380886115591569715/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2011/05/reflexoes-sobre-educacao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/380886115591569715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/380886115591569715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2011/05/reflexoes-sobre-educacao.html' title='Reflexões sobre Educação'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ukxp6EyL_0A/Tcg2dMO84nI/AAAAAAAAAII/Hr2MOgSf9wQ/s72-c/escola.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-8251266066955070618</id><published>2011-02-23T11:41:00.000-08:00</published><updated>2011-02-23T11:48:39.226-08:00</updated><title type='text'>Irmãos...</title><content type='html'>Olá,&lt;br /&gt;Depois de tanto tempo sem postar, dou seguimento ao projeto de um poema-para-cada-irmão. Como tenho muitos irmãos, quando terminar terei já uma antologia. Assim seja!&lt;br /&gt;Abraços,&lt;br /&gt;Rafael.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soneto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu rosto as cicatrizes denunciam&lt;br /&gt;Os quinze anos que teimam em não passar,&lt;br /&gt;Juventude perene diluída&lt;br /&gt;Num copo pendente na mesa do bar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebe para equilibrar-se na vida&lt;br /&gt;Para entrever no fundo do seu copo&lt;br /&gt;O caos escondido no fundo do peito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se cada gole da bebida&lt;br /&gt;Lhe restabelecesse a juventude&lt;br /&gt;Lhe inventasse um mundo mais perfeito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ama sem saber palavras de amor&lt;br /&gt;Trancafiado na imaturidade&lt;br /&gt;Seu breve sorriso é quase um clamor&lt;br /&gt;De um menino buscando a felicidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-8251266066955070618?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/8251266066955070618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2011/02/irmaos.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/8251266066955070618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/8251266066955070618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2011/02/irmaos.html' title='Irmãos...'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-1123853082383510854</id><published>2011-02-23T11:32:00.001-08:00</published><updated>2011-02-23T11:36:58.961-08:00</updated><title type='text'>"E era a vida e a vida era gaiola..."</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-EnzRsNSrkE0/TWVhWjSRC0I/AAAAAAAAAIA/maI1L1toQeo/s1600/gaiola.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 208px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-EnzRsNSrkE0/TWVhWjSRC0I/AAAAAAAAAIA/maI1L1toQeo/s320/gaiola.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5576970753625099074" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Aos meus novos alunos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje cedo debatia com meus alunos um poema de uma autora chamada Maria do Carmo de Melo. O poema, intitulado A gaiola, falava da condição do sujeito encerrado nas tantas gaiolas que cerceiam a liberdade do homem. Das gaiolas transmutadas em alianças, em muros, em preconceitos, em impostos, em rotinas, em “tabuletas dizendo é proibido”. Gaiolas tais e tantas que transformam o sujeito em marionete, em um robô de “coração trancado a cadeado”, sem espaço para o inefável, para o sonho, a evasão e o sentimento, reificados e descartáveis como é próprio das coisas. Lembrei do poema de Marçal Aquino com sua “puta mais velha da vila”, que morre solitária em sua casa depois de uma vida inteira marcada por grandes homens (senadores, diplomatas, magnatas); sozinha, pois sabia que um domingo cercada de marido e filhos era também uma prisão. A coragem da personagem de Marçal Aquino tão invejada por milhares de mulheres encerradas em suas gaiolas, por vezes de luxo, denuncia a prisão a que diversas relações se reduzem com o passar do tempo, movidos pelo medo da solidão, da rejeição, do próprio medo, fazemos redomas e encerramos o outro na ilusão de estarmos livres, quando na verdade “guardamos desertos” dentro de nós.&lt;br /&gt;Lembrei-me também da mulher-passarinho do conto de Marina Colasanti que, encerrada numa gaiola, recebia os cuidados constantes do marido que tanto a amava, que lhe trocava o jornal, lhe trazia água e que, no fim do dia, carinhosamente lhe jogava um pano por cima da gaiola para lhe trazer a noite. Uma dia a portinhola se rompe e a mulher empreende novos vôos, busca outros ares, e lembra sem saudade do tempo da escravidão. &lt;br /&gt;O poema da minha aula, embora fale todo e qualquer ser humano atado aos grilhões sociais e reduzidos a atividades, rotinas, conceitos, preconceitos, trouxe-me as dores e angústias das mulheres que, ao lado das crianças, sempre foram as maiores vítimas das diversas faces das gaiolas, disfarçadas em preceitos e princípios, em leis e juramentos, em costumes e crenças. Impossível não pensar na “Gaiola das Popozudas”, chefiada por uma mulher que se crendo livre e dona do seu corpo tem se transformado numa bunda itinerante, que se vende em nome de uma libertação sexual tão falaciosa quanto o volume que carrega em suas costas. Mulheres de Atenas ou do Complexo do Alemão, de Brasília ou do Pará, seguem rompendo suas gaiolas silenciosamente enquanto outras se trancam sem a devida consciência dos seus atos. E como todos nós sabemos, o canto de dentro da gaiola sempre soa mais triste, posto que melancólico, com saudade de voar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-1123853082383510854?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/1123853082383510854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2011/02/e-era-vida-e-vida-era-gaiola.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/1123853082383510854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/1123853082383510854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2011/02/e-era-vida-e-vida-era-gaiola.html' title='&quot;E era a vida e a vida era gaiola...&quot;'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-EnzRsNSrkE0/TWVhWjSRC0I/AAAAAAAAAIA/maI1L1toQeo/s72-c/gaiola.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-8009549386164630418</id><published>2011-01-18T16:35:00.000-08:00</published><updated>2011-01-18T16:42:18.175-08:00</updated><title type='text'>Irmãos...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TTYzYBqZ3OI/AAAAAAAAAH0/cZfs1-mrVyA/s1600/maos%2Bdadas.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 286px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TTYzYBqZ3OI/AAAAAAAAAH0/cZfs1-mrVyA/s320/maos%2Bdadas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563690877518994658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Há tempos venho querendo realizar um pequeno projeto: escrever uma poesia para cada um dos meus irmãos. Uma espécie de homenagem. Muito embora reconheça que os meus caminhos pela poesia não são os mais frondosos, teimo e insisto. De qualquer forma, começo a por em ação. Dedico os poemas que virão a cada um dos meus cinco irmãos, parceiros que dividem comigo a árdua tarefa de existir num mundo tão cheio de competições e de violência. Neles encontro o apoio para enfrentar as duras batalhas que surgem pelo caminho. E mesmo sem ficar declarando isso em voz alta entre nós, sabemos e reconhecemos o valor de ser irmãos, juntos nas adversidades e felizes nas realizações. É isso aí, com o meu amor, Rafael.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foste sempre&lt;br /&gt;Um bom filho&lt;br /&gt;Para um pai medíocre&lt;br /&gt; – Um pai pródigo de filho bom –&lt;br /&gt;Filho terno&lt;br /&gt;Para mãe forte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre justo em suas atitudes&lt;br /&gt;Nunca foste criança&lt;br /&gt;Nasceste homem, homem maduro&lt;br /&gt;E pronto para enfrentar tua sina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado no sofá&lt;br /&gt;Chorava quando o pai ameaçava ir embora&lt;br /&gt;Era cúmplice da mãe castigada pela sandice do algoz&lt;br /&gt;Era pai quando o pai se negava o lugar que a fortuna lhe predestinou&lt;br /&gt;E insistia em soltar pipa e jogar biloca e em correr pelo mundo a fora&lt;br /&gt;Para esquecer o peso de sua vida de adulto&lt;br /&gt;Para achar que não estava só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu desde sempre&lt;br /&gt;A dor de cuidar dos outros&lt;br /&gt;E a consolar quando também lhe rebentavam as fibras&lt;br /&gt;Mas isso te fez forte &lt;br /&gt;e hoje o mundo gira como um pião na palma da mão calejada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida que embrutece&lt;br /&gt;O sofrimento que endurece&lt;br /&gt;Pelo contrário&lt;br /&gt;Só te fizeram mais lacrimoso&lt;br /&gt;E de teus olhos jorram sangue, suor e saudade&lt;br /&gt;Em tua marmita carregava o amor de uma mãe corajosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traz em ti o cheiro de capim-santo&lt;br /&gt;Pão das três, bolinho de chuva,&lt;br /&gt;Cheiro verde, chuva caindo serena&lt;br /&gt;Generosa no dever de espalhar a vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teus braços se abrem para o infinito&lt;br /&gt;Buscando as respostas de um tempo perdido&lt;br /&gt;Esperas sentado numa janela de vidro&lt;br /&gt;O instante de ver um futuro bonito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Futuro que vem consertar o passado&lt;br /&gt;Passado interdito pelo bom sofrimento&lt;br /&gt;Marcado que foi pelos cortes do tempo&lt;br /&gt;Esperas de dentro de um sonho o Esquisito &lt;br /&gt;A ventura que vem com o sopro do vento...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei ao certo quanto tempo se passou&lt;br /&gt;Entre o menino de outrora e o pai de agora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embalando a filha com a mão no seu rosto&lt;br /&gt;Ensaiando os gestos do reconhecimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decorando as marcas de um ser tão diverso&lt;br /&gt;Que de dentro de si emergiu num momento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda te vejo criança pequena&lt;br /&gt;Tartamudeios e  cacos de uma fala confusa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correndo entre outros, desobedecendo&lt;br /&gt;Os limites que em vão te mostravam os dedos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da feição infantil e das brincadeiras&lt;br /&gt;Nada se foi com a aventura do tempo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permanece infante e festeiro e menino&lt;br /&gt;Mas sente pesar o pesar de ser herói&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um herói que não viu a passagem das horas&lt;br /&gt;Que não sabe o tamanho e o temor das tormentas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que dança de dia para espantar os fantasmas&lt;br /&gt;Que foge para não responder as perguntas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que insistem em burlar a censura&lt;br /&gt;Das frágeis comportas do seu sentimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos medos que coleciona na gaveta pequena&lt;br /&gt;Está o de ter que crescer num repente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E trair os sonhos que um dia plantou&lt;br /&gt;E que inda hoje não são mais que sementes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-8009549386164630418?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/8009549386164630418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2011/01/irmaos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/8009549386164630418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/8009549386164630418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2011/01/irmaos.html' title='Irmãos...'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TTYzYBqZ3OI/AAAAAAAAAH0/cZfs1-mrVyA/s72-c/maos%2Bdadas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-3442638537554904111</id><published>2011-01-03T09:54:00.000-08:00</published><updated>2011-01-03T09:56:06.036-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TSINq3zNlpI/AAAAAAAAAHk/TU5CHNd_nMM/s1600/salto_alto.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 317px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TSINq3zNlpI/AAAAAAAAAHk/TU5CHNd_nMM/s320/salto_alto.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5558019920313030290" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Vestida de seda,&lt;br /&gt;De chita, organdi&lt;br /&gt;Branqueia a paisagem,&lt;br /&gt; - Pálida Elvira.&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;Helena, Carlota,&lt;br /&gt;Lolita, Ester.&lt;br /&gt;Seu ser se reveste&lt;br /&gt;Se trocas de veste,&lt;br /&gt;És uma sereia.&lt;br /&gt;Persona: mulher.&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;Poeta maldito,&lt;br /&gt;Perdestes o siso,&lt;br /&gt;Nem sabes teu nome&lt;br /&gt;Mal sabes o que quer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te lembro de pronto&lt;br /&gt;Tal qual Mefistófeles&lt;br /&gt;Teu nome é Werther,&lt;br /&gt;Destino: morrer.&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;Cavalga indeciso&lt;br /&gt;Qual redemoinho:&lt;br /&gt;“lançaste feitiço&lt;br /&gt;Pra dentro de mim?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caiu tua máscara,&lt;br /&gt;Embuste, falácia.&lt;br /&gt;Te vejo cá dentro,&lt;br /&gt;És Diadorim”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-3442638537554904111?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/3442638537554904111/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2011/01/vestida-de-seda-de-chita-organdi.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/3442638537554904111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/3442638537554904111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2011/01/vestida-de-seda-de-chita-organdi.html' title=''/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TSINq3zNlpI/AAAAAAAAAHk/TU5CHNd_nMM/s72-c/salto_alto.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-6038488426285424805</id><published>2010-12-21T19:44:00.000-08:00</published><updated>2010-12-21T19:45:59.512-08:00</updated><title type='text'>Semente de gente-quando-morre</title><content type='html'>E trazia consigo&lt;br /&gt;Estampado no rosto&lt;br /&gt;Algo entre a dor e a melancolia&lt;br /&gt;Como se soubesse, se cresse&lt;br /&gt;Que estar no mundo lhe era um favor concedido&lt;br /&gt;A vida lhe negava o gosto&lt;br /&gt;De ver o pleno da aurora&lt;br /&gt;Andava como se aos outros incomodasse&lt;br /&gt;E suportava como um Jó&lt;br /&gt;Toda dor que lacerava&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentia falta de quê?&lt;br /&gt;De tudo que não sabia&lt;br /&gt;Daquilo que não vivera&lt;br /&gt;E sonhava inutilmente&lt;br /&gt;Com um mundo coberto de sonhos&lt;br /&gt;Com um mundo coberto de sempres&lt;br /&gt;Com um mundo coberto de mundos&lt;br /&gt;Com um mundo prenhe de tempos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um palhaço sem graça e sem laço&lt;br /&gt;Sem nariz colorido e sem passo&lt;br /&gt;Ensaiado para roubar um sorriso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo lhe era falta&lt;br /&gt;Uma ausência que lhe preenchia&lt;br /&gt;Como o tumor que lhe crescia no de-dentro&lt;br /&gt;Roubando-lhe a vida, embora medíocre, lampejo de vida;&lt;br /&gt;Faísca de gente, embora baço; &lt;br /&gt;Esboço de homem, embora sem nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José, Severino, Augusto, Raimundo quem sabe&lt;br /&gt;Nordestinamente desafiando as certezas,&lt;br /&gt;Querendo ser forte,&lt;br /&gt;Antes de tudo, forte&lt;br /&gt;Carrega no ombro com toda destreza&lt;br /&gt;A dor de ter dor no momento da morte...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitado em seu novo leito&lt;br /&gt;A terra o abriga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terra-casa, terra-amiga&lt;br /&gt;lhe planta pra ver se agora amadura&lt;br /&gt;ele que nunca saiu da semente&lt;br /&gt;e o povo vai ver entre crente e descrente&lt;br /&gt;um palhaço brotando do chão da amargura&lt;br /&gt;um palhaço, um homem, um bicho-semente...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-6038488426285424805?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/6038488426285424805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/12/semente-de-gente-quando-morre.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/6038488426285424805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/6038488426285424805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/12/semente-de-gente-quando-morre.html' title='Semente de gente-quando-morre'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-8247254106233380367</id><published>2010-12-05T09:43:00.001-08:00</published><updated>2010-12-14T03:16:01.580-08:00</updated><title type='text'>Os inimigos são outros, muitos outros...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TPvPbUNCcBI/AAAAAAAAAHY/lCjiHUcvf3s/s1600/tropa_de_elite_2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TPvPbUNCcBI/AAAAAAAAAHY/lCjiHUcvf3s/s320/tropa_de_elite_2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5547255434223710226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Confesso que fui assistir ao filme Tropa de Elite 2 meio a contragosto. Tinha muito receio do esquema simplificador que reduziu o primeiro filme a uma tola brincadeirinha de polícia e ladrão, com direito ao maniqueísmo mais raso que segregava os incorruptíveis soldados do BOPE de um lado, e os bandidos-que-deveriam-mesmo-morrer do outro. Assustou-me ver e ouvir pessoas aplaudindo os balaços que espalhavam massa encefálica a ponto de respingar no espectador. Lembro-me dos versos de Drummond: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“Há no país uma legenda,&lt;br /&gt;que ladrão se mata com tiro”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível perceber um desejo de crítica no Primeiro Tropa de Elite (os “burgueses”, a passeata, o roteiro da droga etc). Essas questões, no entanto, são quase que apagadas ou neutralizadas diante de peripécias de segunda ordem que compõem o corpo do filme. Para minha felicidade, o segundo filme chega a quase anular o anterior. Sua construção, do roteiro à qualidade das imagens, traz intrínseco o desejo de perturbar, de derrocar estruturas e, sobretudo, de complexificar problemas tão graves quantos esses que assolam todo o país. Eis o meu maior elogio ao filme: a sua capacidade de querer aprofundar o debate, de demonstrar que o crime no Brasil é uma questão que envolve todos – desde o traficante ao policial, que algumas vezes se confundem, passando pelos governantes, e principalmente por conseguir fazê-lo de forma asfixiante, angustiada, pessimista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, porque acredito que o pessimismo é importante e mesmo necessário em alguns momentos da vida. É preciso se sentir encalacrado, sem saída, como o José drummondiano, para perseguir formas de enfrentamento. Acredito que Topa de Elite 2 vale a pena por isso. Precisamos discutir o crime sem os vícios deterministas que enxergam apenas desvios de caráter. Há que se questionar sobre quem ajuda a produzir diariamente os bandidos e marginais, categorias que não necessariamente dizem a mesma coisa; sobre o papel da polícia, sobre educação, qualidade de vida, emprego e salário dignos, pontos elementares para se pensar na integridade do sujeito, para que os discursos humanitários não sejam confundidos com mera verborragia para encobrir bandido. É necessário oferecer condições reais para que o homem seja íntegro. E isso só se faz enxergando os problemas de forma sistêmica, compreendendo que “é preciso toda uma tribo para salvar uma criança.” É uma pena que no Brasil a consciência sempre venha acompanhada do mal-estar. É isso!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-8247254106233380367?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/8247254106233380367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/12/os-inimigos-sao-outros-muitos-outros.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/8247254106233380367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/8247254106233380367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/12/os-inimigos-sao-outros-muitos-outros.html' title='Os inimigos são outros, muitos outros...'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TPvPbUNCcBI/AAAAAAAAAHY/lCjiHUcvf3s/s72-c/tropa_de_elite_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-6431127491550482625</id><published>2010-11-16T13:33:00.000-08:00</published><updated>2010-11-16T13:35:33.313-08:00</updated><title type='text'>Ser preto, com todo direito de sê-lo</title><content type='html'>O debate acerca da questão racial no Brasil parece ter enfrentado uma certa neutralização nos últimos tempos. Isso porque uma negra protagonizou a novela das oito, nas prateleiras dos supermercados pode-se encontrar xampu para cabelos crespos ou hidratante para pele negra, o cabelo “black power” aparece num personagem de seriado juvenil; somado a isso no panorama mundial vê-se um presidente negro à frente da maior potência e a copa do mundo encontrou a África de Mandela. Tudo isso parece demonstrar o aluir das barreiras enfrentadas pelos negros e a queda da discriminação racial, um belíssimo porém frágil discurso. O fato de ser negro estar na moda não significa definitivamente que a questão está resolvida. Ocorre que o mundo da lógica capitalista transforma tudo (em velocidade exorbitante) em mercadoria, inclusive todas as lutas, por isso mesmo se vende uma idéia falaciosa de que a diversidade constituinte do povo brasileiro apaga as diferenças de cor, de credo e de grupo social. Na verdade, a coisa não mudou muito. Passado o furor inicial da implementação do sistema de cotas para negros, restou a fala resignada de um preconceito velado que ainda afirma que as cotas reforçam o preconceito e segregam ainda mais. Certo dia um aluno, durante o debate sobre o tema, discordou das cotas por afirmar que o livro que o branco lê é o mesmo que o do negro, por isso ambos teriam as mesmas chances. Preocupou-me grandemente tal juízo vindo de um aluno do ensino superior, sobretudo por demonstrar uma legítima ignorância histórica e por estar viciado pelos discursos de catedráticos que enxergam gráficos e planilhas e desconhecem o estigma, o rótulo, o peso insuportável das forças históricas. Por mais pop que possa parecer a moda afro, a indústria de chapinhas ainda lucra com o embranquecimento da sociedade, que uniformiza cabelos e ideologias de uma legião de pessoas cujo orgulho foi abalado pelos olhares enviesados dos que condenam o cabelo sarará. Para protagonizar a novela do horário nobre, a moça tem que estar ancorada ao casamento com um branco bem sucedido como que para legitimar o seu lugar. Mas eles continuam teimando em aparecer, vestidos de empregados ou no tão clichê personagem sambista, malandro, fanfarrão. Quero dizer com isso que levará ainda bastante tempo para que a diversidade seja respeitada e admitida socialmente em todas as esferas, e acrescento ainda que falta comunhão com a questão do negro. Sim, porque se fecho os olhos e me disponho a complexificar a ótica do mundo administrado, posso ouvir o som do chicote que estala e gira em “doidas espirais” regendo a dança do navio negreiro, posso ver as marcas do castigo e as mãos escalavradas que levaram no braço séculos de uma economia arcaica que sustentava a elite branca e privilegiada. Nessa comunhão todo brasileiro é negro e toda dor de um é a de todos. Por isso uso o cabelo solto e não me envergonho quando dizem que ele é duro, e não tenho medo de me chamar de negro, preto, crioulo. Axé!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-6431127491550482625?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/6431127491550482625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/11/ser-preto-com-todo-direito-de-se-lo.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/6431127491550482625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/6431127491550482625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/11/ser-preto-com-todo-direito-de-se-lo.html' title='Ser preto, com todo direito de sê-lo'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-4638152537103037811</id><published>2010-11-07T14:46:00.000-08:00</published><updated>2010-11-07T15:15:36.917-08:00</updated><title type='text'>Coisas de pai</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNczEiT-s0I/AAAAAAAAAHQ/XCfJTl5HtR0/s1600/papel.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 203px; height: 149px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNczEiT-s0I/AAAAAAAAAHQ/XCfJTl5HtR0/s320/papel.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5536950419898413890" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Seu Marcelo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu te odeio! Quero que você morra!” Disse e bateu forte a porta atrás de si. Trancada e atirada à cama entre prantos e desejos de vingança, pensava em uma forma de punir seu pai. Queria ser mais livre, menos triste por ter quinze anos e não fazer “o que lhe desse na telha”. “Fala sério, odeio tudo isso!”. Seus quinze anos não permitiam que ela enxergasse todo um jogo de poderes, de medos e de perversos amores que regem a relação pai e filhos. Olhava em todos os quatro cantos do quarto à procura de algo que servisse à sua ira. Desejava que o pai morresse; melhor, que ela morresse, para que ele se sentisse culpado, constrangido, amargurado, com remorso e aos poucos definhasse e encontrasse enfim a morte, após uma lenta e dolorosa pena de dias, ou talvez semanas.&lt;br /&gt;Lembrou-se das palavras duras, das proibições e os nãos iam e vinham ziguezagueando em sua mente, desenhando parábolas que viravam água e sal. Odiava o jeito com que lhe tratava, sentia como se suas mãos crescessem e lhe esmagassem, como se extermina um pernilongo irritante.&lt;br /&gt;Seu olhar fixou o quadro de fotos dependurado na parede. Seus sorrisos com amigos, com o cachorro, com o pai. Num ímpeto levantou-se e retirou a foto ignorando os pequenos imãs coloridos voando pelo quarto. Picotou em exatos oito pedaços como se pudesse fazê-lo sentir o ódio do seu gesto. Abriu a porta da sua masmorra e lançou na sala os braços, abraços, caras e cenário distribuídos cada qual no espaço de um rasgo. Bateu a porta novamente. Chorou e dormiu desejando o fim do dia, da vida, do mundo. Acordou com os olhos inchados e abriu uma fresta. Viu a sala vazia e lentamente foi caminhando em direção à porta. Antes de dobrar o corredor pode ver em cima da mesa a foto colada num papel. Os quadradinhos juntavam-se de novo formando um mosaico da inteireza de outrora, abaixo os seguintes escritos: “Minha filha, dessa vez eu ainda consegui colar, mas chegará um dia em que não estarei mais presente para juntar nossas vidas. Espero que a nossa história não seja construída de remendos e pedaços mal colados. Meu amor de pai... sempre”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-4638152537103037811?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/4638152537103037811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/11/coisas-de-pai.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/4638152537103037811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/4638152537103037811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/11/coisas-de-pai.html' title='Coisas de pai'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNczEiT-s0I/AAAAAAAAAHQ/XCfJTl5HtR0/s72-c/papel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-58307572399160994</id><published>2010-11-07T14:38:00.000-08:00</published><updated>2010-11-07T14:46:05.519-08:00</updated><title type='text'>Um feliz retorno...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcsJP73BQI/AAAAAAAAAGo/Wouj3KUuuF8/s1600/SAM_1803.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcsJP73BQI/AAAAAAAAAGo/Wouj3KUuuF8/s320/SAM_1803.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5536942804283360514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu pensei em criar o blog, acreditei, como todos os coutros companheiros dessa empreitada (também compartilhada pela amiga Ellen), que conseguiria escrever e postar todos os dias, ou pelo menos toda semana. Mas como vocês podem notar, a frequência é de um texto por semestre. Não me orgulho disso, mas também tenho uma justificativa: nos últimos meses tenho vivido num limbo, escrevendo coisas específicas de uma pesquisa específica e isso tem me sugado. Dizem que os homens não engravidam, mas essa escritura representa uma gestação, e das complicadas!&lt;br /&gt;Agora, estou tentando manter uma regularidade. Tenho tantas coisas na cabeça, tantos projetos, tantos textos planejados. Espero que se materializem!&lt;br /&gt;Até breve!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-58307572399160994?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/58307572399160994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/11/um-feliz-retorno.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/58307572399160994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/58307572399160994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/11/um-feliz-retorno.html' title='Um feliz retorno...'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcsJP73BQI/AAAAAAAAAGo/Wouj3KUuuF8/s72-c/SAM_1803.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-7810205398748847689</id><published>2010-06-09T12:00:00.000-07:00</published><updated>2010-06-09T12:01:48.707-07:00</updated><title type='text'>Paisagens enviesadas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TA_lFGvkcHI/AAAAAAAAAGY/EddEJg3Ng9Q/s1600/urbs.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 201px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TA_lFGvkcHI/AAAAAAAAAGY/EddEJg3Ng9Q/s320/urbs.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5480851147405422706" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sol de meio-dia&lt;br /&gt;Véspera de feriado&lt;br /&gt;Estudantes em disparada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem brinca&lt;br /&gt;Com uma lagarta&lt;br /&gt;Suas doze patas&lt;br /&gt;Suas doces pancadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalho pesado&lt;br /&gt;Suor e cimento&lt;br /&gt;De cima do prédio&lt;br /&gt;Se vê o bandido&lt;br /&gt;Da bolsa ficou&lt;br /&gt;O espelho quebrado&lt;br /&gt;Batom, documento&lt;br /&gt;Dobraram a esquina&lt;br /&gt;Restou o hematoma&lt;br /&gt;E um triste lamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem devolve&lt;br /&gt;A lagarta ferida&lt;br /&gt;Planta acolhedora&lt;br /&gt;A casa bendita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechouo sinal&lt;br /&gt;Fecha-se o vidro&lt;br /&gt;Balas, chicletes e panos de prato&lt;br /&gt;Quem foi o culpado&lt;br /&gt;Quem é o inimigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na espuma do cuspe&lt;br /&gt;Desfaz-se em segundos&lt;br /&gt;Na lata amassada&lt;br /&gt;Um último gole&lt;br /&gt;Formiga de sorte&lt;br /&gt;É teu latifúndio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grito desperta&lt;br /&gt;A criança dormindo&lt;br /&gt;O grito liberta&lt;br /&gt;O homem caindo&lt;br /&gt;Seu sangue empoçado.&lt;br /&gt;Estava faminto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponteiro paralisa&lt;br /&gt;A fila do banco.&lt;br /&gt;A filha do meio&lt;br /&gt;Na escola primária&lt;br /&gt;Num banco esquecida&lt;br /&gt;Pergunta ao porteiro&lt;br /&gt;Quem é que conhece&lt;br /&gt;O sentido da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questão tão profunda&lt;br /&gt;Esquece esse troço.&lt;br /&gt;Brinca solitária&lt;br /&gt;Joga amarelinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma dona-de-casa&lt;br /&gt;     Xícara sem asa&lt;br /&gt;          A calha entupida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai ocupado&lt;br /&gt;     Trabalho dobrado&lt;br /&gt;          Esquece a maleta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filho caçula&lt;br /&gt;     A marca da agulha&lt;br /&gt;         Tomou seu veneno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sol do meio-dia&lt;br /&gt;Depois do feriado&lt;br /&gt;Estudantes em disparada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem procura&lt;br /&gt;A sua lagarta&lt;br /&gt;Remexe entre as folhas&lt;br /&gt;Perversa ternura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cima do prédio&lt;br /&gt;Ensaiando a queda&lt;br /&gt;Um homem de terno&lt;br /&gt;Em vão se pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é dentre os homens&lt;br /&gt;Ou sábios ou ricos&lt;br /&gt;Quem é que conhece&lt;br /&gt;O sentido da vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-7810205398748847689?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/7810205398748847689/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/06/paisagens-enviesadas.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/7810205398748847689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/7810205398748847689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/06/paisagens-enviesadas.html' title='Paisagens enviesadas'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TA_lFGvkcHI/AAAAAAAAAGY/EddEJg3Ng9Q/s72-c/urbs.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-7761556122361203907</id><published>2010-06-09T11:54:00.000-07:00</published><updated>2010-06-09T11:56:55.390-07:00</updated><title type='text'>Leituras I</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TA_j4fDCeMI/AAAAAAAAAGQ/hv-re1K4rnI/s1600/leitura1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 289px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TA_j4fDCeMI/AAAAAAAAAGQ/hv-re1K4rnI/s320/leitura1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5480849831079606466" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sempre comento com meus alunos uma teoria, às vezes bem contestada, de que não existe realmente quem não goste de ler. Existem, sim, pessoas que não tiveram uma experiência efetiva com a leitura. Essas são pessoas que tiveram negado o seu direito de ser leitores e de vivenciar o que somente a dimensão da inventividade pode proporcionar.&lt;br /&gt;Falo isso porque guardo ainda na lembrança duas das histórias que me iniciaram no caminho da leitura. A professora (típica professora Helena, com o mesmo tom meigo e carinhoso de todas as professoras do primário, saião até o joelho, óculos grandes e coque no alto da cabeça, fazendo com que qualquer possibilidade de desejo infantil fosse exterminada) nos levava uma vez por semana para a biblioteca e pedia que cada um de nós escolhessemos um livro, dentro os quais ela selecionaria um para ler para todos em “voz alta” e “mostrando as figuras”.&lt;br /&gt;As várias estórias passeavam por entre nós, selecionávamos a cor, os desenhos, os sonhos que se figuravam por entre as páginas de formatos, tamanhos e linhas diferentes. Um dia escolhi a história do “Barba Azul”. O livro fala de um marinheiro (?) muito rico e poderoso que se casa com uma mocinha humilde e de bom coração. Depois do matrimônio, ele precisa viajar e lhe entrega um molho de chaves para que cuide da casa, alertando que, de todas as portas, uma, apenas uma jamais poderia ser aberta. Claro que, como boa mulher, ela desobedece e acaba se deparando com uma cena horrível – encontra os corpos das falecidas esposas que a antecederam. A chave acaba caindo no chão e fica manchada de sangue. Aliás, um sangue “mágico” que não se apaga. Ela limpa, esfrega, mas o sangue não sai denunciando a sua desobediência e curiosidade. Até que o Barba Azul chega da viagem e...&lt;br /&gt;Não me lembro muito bem o fim moralizante que dera a minha professorinha para a história, a lição do texto, mas consigo lembrar-me perfeitamente das expressões que ela fazia querendo criar atmosfera de suspense, dobrando vagarosamente as páginas do livro para nos revelar a imagem, lendo pausadamente preocupando-se com os ouvintes pequeninos. Lembro-me da cara de espantados que ficávamos todos em volta da professora, do medo que fiquei do Barba Azul e da vontade de ajudar a pobre moça que, dentro em pouco, seria lançada ao quarto proibido para se juntar às ex-esposas desafortunadas. Lembro também nitidamente do desenho que fiz ao final da história. Sim, todos tínhamos que fazer uma ilustração sobre a história, que depois era colada como no mural criativo de bordas de borracha coloridas. Virginiano, com ascendente em gêmeos e lua em sagitário, desenhava com todo esmero na tentativa de colecionar elogios e estrelinhas. Pintava e cuidava do meu Barba Azul e de sua esposa infeliz.&lt;br /&gt;De tudo o mais fantástico era como aquele momento de leitura se transfigurava num mundo lúdico e paralelo em que nós, meninos de alma entregue, conseguíamos interagir com os personagens, com o narrador, adentrávamos o espaço-tempo da narrativa e dialogávamos com a ficção. Éramos leitores exercendo o direito de sê-lo.&lt;br /&gt;A outra história que me ficou foi a da “Casa Sonolenta”, em que a vovó dorme, o neto dorme, o cachorro e o gato dormem, a pulga dorme... Esse texto funcionava para mim como um mantra. Somente anos depois foi que descobri que no fim a casa também dorme. Nós sempre dormíamos no meio da contação e sonhávamos com vovós, netos, cães e gatos e pulgas bem acordados sedentos por estripulias imaginativas.&lt;br /&gt;Quando penso nesses dias passados e na doce leitura da doce professora, recordo o início de uma caminhada. Ali, eu sentia que realidade e ficção eram duas faces de uma mesma existência, que com o passar da idade vão se distanciando, mas que nascem juntas fundadas no milagre da criação permanente do universo. Sinto agora que o meu discurso se misturou ao da professorinha carismática.&lt;br /&gt;Por isso mesmo, olho com alegria a sobrinha de um ano e poucos meses que já sabe o que é ler, mesmo sem conhecer a palavra escrita. Ela lê o mundo, os gestos, as fagulhas de pirlimpimpim que estão o tempo todo suspensos no ar. Ela só confirma o que Paulo Freire nos dizia em suas tão belas e libertadoras palavras. Ela só dá continuidade a um mundo que há de permanecer: recheado de homens e mulheres quixotescos, que lutam contra os moinhos-gigantes que aparecem nos reinos tão, tão, tão distantes...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-7761556122361203907?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/7761556122361203907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/06/leituras-i.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/7761556122361203907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/7761556122361203907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/06/leituras-i.html' title='Leituras I'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TA_j4fDCeMI/AAAAAAAAAGQ/hv-re1K4rnI/s72-c/leitura1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-6598138715637195005</id><published>2010-02-21T16:41:00.000-08:00</published><updated>2010-02-21T16:45:39.392-08:00</updated><title type='text'>Crônica de triste fim</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/S4HS9qOd3vI/AAAAAAAAAGI/y9V41Y7U8tE/s1600-h/sangue.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 268px; height: 297px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/S4HS9qOd3vI/AAAAAAAAAGI/y9V41Y7U8tE/s320/sangue.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5440861781589090034" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Alcides Lins&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As lágrimas ainda rolavam de seu rosto. Em pouco tempo cessariam dando vez a uma secura absoluta, pontiaguda, como a dor mais profunda que se pode conceber – dor de mãe que perde o filho. Um filho Imperador, entre gigantes e moinhos, lutando contra a força impiedosa da miséria, da desigualdade de oportunidades que divide a sociedade. Morto a balas em frente à casa humilde da catadora de lixo, sua mãe, que fechando os olhos relembrava a felicidade de ver o filho ser primeiro. O primeiro nome da lista, ignorando os determinismos de cor, de classe, de endereço, desafiando olhares de repúdio e desconfiança, dos que se sentem ameaçados pela pobreza, incômoda como um soco no estômago. &lt;br /&gt;Sentada em frente à janela, ela questiona o tempo, como se tentasse imaginar o que aconteceria se ele tivesse chegado em casa cinco minutos antes ou depois. Desejou que ele tivesse perdido o ônibus, ou qualquer sorte de empecilhos lhe tivesse atrasado a chegada. Impossível saber – o tempo devora. Sentada à janela, ela espera e espera pelo filho que não virá. Que se foi sem ser pródigo, sem renegar a família, as terras, a fortuna, que sequer teve tempo de aproveitar a vida, pois “estatelado ao relento/perdeu a pressa que tinha” de viver.&lt;br /&gt;Impedido de escrever o epílogo de sua história, deixou capítulos de grandeza quixotesca, escritos à boa pena, consciente da luta digna do dia. Em casa, a mãe, buarquianamente, arruma o quarto do filho que já morreu, vivendo doridamente o revés do parto. As irmãs desviam do olhar da mãe, mas comungam da dor imensa, dobrando a camiseta ainda jogada sobre o cesto, recolhendo os livros marcados de cujas anotações avulta o espírito sonhador do imperador. Os vizinhos fecham as janelas e escrevem cartazes pedindo justiça. Pela internet, milhares de pessoas acompanham sua história de triste fim, em silêncio profundo como quem tenta dar significado a tamanha barbaria.&lt;br /&gt;Numa casa de periferia, à meia-noite, alguém escreve para não chorar a história “deste filho de meu pai”, reconhecendo nela a sua própria história, de desfecho diferente, por enquanto e quem sabe por quanto tempo. Meu minuto de silêncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-6598138715637195005?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/6598138715637195005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/02/cronica-de-triste-fim.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/6598138715637195005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/6598138715637195005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/02/cronica-de-triste-fim.html' title='Crônica de triste fim'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/S4HS9qOd3vI/AAAAAAAAAGI/y9V41Y7U8tE/s72-c/sangue.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-693882530239484246</id><published>2010-01-13T18:33:00.001-08:00</published><updated>2010-01-13T18:36:04.442-08:00</updated><title type='text'>O elefante c'est moi</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/S06CmTaJGWI/AAAAAAAAAFc/mMhnDqT-RJk/s1600-h/remendos.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 238px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/S06CmTaJGWI/AAAAAAAAAFc/mMhnDqT-RJk/s320/remendos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5426418195584588130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Busco quem compreenda meus fragmentos&lt;br /&gt;Os pedaços de mim espalhados pelo vento&lt;br /&gt;Como bolhas de sabão em meio a um vendaval&lt;br /&gt;Porque sou fragmento&lt;br /&gt;E vivo tentando costurar os pedaços de vida&lt;br /&gt;E saio mambembe com as linhas penduradas&lt;br /&gt;Denunciando o coser amador&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansei de tentar ser completo&lt;br /&gt;E hoje duvido da integridade&lt;br /&gt;Por isso busco quem me queira aos pedaços&lt;br /&gt;Recolhendo-me e montando o que pode ser montado&lt;br /&gt;O que não foi perdido&lt;br /&gt;Ou, por querer, esquecido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-693882530239484246?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/693882530239484246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/01/o-elefante-cest-moi.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/693882530239484246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/693882530239484246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/01/o-elefante-cest-moi.html' title='O elefante c&apos;est moi'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/S06CmTaJGWI/AAAAAAAAAFc/mMhnDqT-RJk/s72-c/remendos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-558682328231499020</id><published>2010-01-13T18:11:00.000-08:00</published><updated>2010-01-13T18:13:26.523-08:00</updated><title type='text'>A canção "particular" de Maria Gadú</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/S059kaDVe9I/AAAAAAAAAFU/eXE1FJkSpxQ/s1600-h/mariagadu.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 319px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/S059kaDVe9I/AAAAAAAAAFU/eXE1FJkSpxQ/s320/mariagadu.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5426412665450101714" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tive a sorte de conhecer a música de Maria Gadú, artista bem jovem, mas com um talento antigo, tenho certeza. Trata-se daqueles poucos álbuns que se tem vontade conhecer inteiro numa só tarde, porque se tem certeza de que embalará outras tantas. É isso: o disco de Maria Gadú me lembra uma tarde de chuva, daquelas descomprometidas em que se fica debaixo de um bom cobertor admirando a beleza do tempo frio e do calor aconchegante de um agasalho.&lt;br /&gt;Duas canções, em especial, me encantaram. A primeira - “Dona Cila”, é uma canção escrita em homenagem à sua avó, a quem o álbum é dedicado. A letra é permeada por um sentimento a um só tempo doce e amargo. A doçura do amor que sustenta, o amargo da despedida. Há melancolia na construção e melancolia é um sentimento difícil. Fala de uma dor danada, a do apego que “não quer ir embora” junto com quem se vai. E termina belamente com uma espécie de oração:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó meu pai do céu, limpe tudo aí&lt;br /&gt;Vai chegar a rainha&lt;br /&gt;Precisando dormir&lt;br /&gt;Quando ela chegar&lt;br /&gt;Tu me faça um favor&lt;br /&gt;Dê um banto a ela, que ela me benze aonde eu for&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra é um samba-canção a não dever quase nada a outros grandes nomes do samba brasileiro. Falo de “Altar particular”, canção de uma cadência a la Noel Rosa e também de letra sofrivelmente bela.  Com versos como “No breu de hoje eu sinto que/ O tempo da cura tornou a tristeza normal”, o eu-lírico, que experimenta a via crucis de uma dolorosa relação amorosa, espera, no sentido mais perseverante da palavra, a concretude do amor, uma fagulha de plenitude alcançada pelo coração. Finaliza, entretanto, com a espera:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu cais deve ficar em algum lugar assim&lt;br /&gt;Tão longe quanto eu possa ver de mim&lt;br /&gt;Onde ancoraste teu veleiro em flor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem mais, a vida vai passando no vazio&lt;br /&gt;Estou contudo a flutuar no rio &lt;br /&gt;esperando a resposta ao que chamo de amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O disco que traz ainda regravações como “A História de Lily Braun” de Chico Buarque e o clássico “Ne me quite pas” (em versão surpreendente), agrada pela beleza e pelo cuidado. Se “música é perfume”, o disco de Maria Gadú há de espalhar aromas inesquecíveis e, com sorte, hão de impregnar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-558682328231499020?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/558682328231499020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/01/cancao-particular-de-maria-gadu.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/558682328231499020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/558682328231499020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/01/cancao-particular-de-maria-gadu.html' title='A canção &quot;particular&quot; de Maria Gadú'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/S059kaDVe9I/AAAAAAAAAFU/eXE1FJkSpxQ/s72-c/mariagadu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-2931480802332702734</id><published>2010-01-11T15:30:00.001-08:00</published><updated>2010-01-11T15:30:37.649-08:00</updated><title type='text'>Coisas de mãe I</title><content type='html'>Na mão direita aberta cinco moedas. Insuficiente para o refrigerante. Sem problemas: comeria somente o cachorro-quente. A manhã pesada da aula lhe deu muita fome. Ainda teria toda a tarde pela frente. Sabia que estudar era o caminho, sua mãe sempre lhe dizia.&lt;br /&gt;Do outro lado da cidade, a mãe recolhida na copa, terminava de esquentar a sua marmita. Lembrou-se por um instante do filho na faculdade que talvez não tivesse dinheiro para comer. Deu a primeira colherada. Em sua cabeça, o filho com fome. Mastigava com dificuldade. O filho do outro lado da cidade com fome.&lt;br /&gt;A comida começou a inchar em sua boca, não descia pela garganta. Sentiu dor e tristeza profunda, cuspiu e pôs-se a chorar orando pelo filho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-2931480802332702734?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/2931480802332702734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/01/coisas-de-mae-i.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/2931480802332702734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/2931480802332702734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/01/coisas-de-mae-i.html' title='Coisas de mãe I'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-5853174895896574127</id><published>2010-01-11T15:13:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T15:15:24.287-08:00</updated><title type='text'>"A solidão de ser só dois"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/S0uxAfhT9EI/AAAAAAAAAFM/5J1B22e8Lfw/s1600-h/fuma%C3%A7a.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/S0uxAfhT9EI/AAAAAAAAAFM/5J1B22e8Lfw/s320/fuma%C3%A7a.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5425624798117229634" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os corpos nus espalhados na cama.&lt;br /&gt;Não tinham sequer recobrado as forças após o intenso gozo que ainda enchia seus corpos de uma avalanche de choques e espasmos.&lt;br /&gt;De repente, ele se virou de lado, alcançou os cigarros e o isqueiro em cima de um criado mudo e acendeu.&lt;br /&gt;A fumaça criou uma espécie de cortina entre os dois, quando ele começou a falar: &lt;br /&gt;“Já pensou que loucura: se eu morresse agora eu nunca mais sentiria prazer. Não é mesmo louco!?”&lt;br /&gt;A cortina se adensou. A fumaça branca agora mais espessa parecia paralisada no ar entre os dois.&lt;br /&gt;“Se você morresse agora, disse ela, eu nunca mais sentiria prazer.”&lt;br /&gt;A frase saiu desconcertada, entre titubeante e emocionada por ter proferido o que poderia ser interpretado como uma declaração de amor. E talvez o fosse. Era.&lt;br /&gt;Nunca antes fora capaz de dizer isso a ninguém, tanto por incerteza quanto pela falta de oportunidades. Colecionou quatro ou cinco romances malfadados cujas declarações nem...&lt;br /&gt;Disse e desviou o olhar. Queria parecer indiferente, distante, soou envergonhado, tímido, real.&lt;br /&gt;Ele se levantou calmamente, pôs no aparelho um disco de Noel:&lt;br /&gt;“Você precisa pensar um pouco mais em si mesma”.&lt;br /&gt;“Eu não te entendo.”&lt;br /&gt;“Talvez nunca entenda mesmo, mas que importa? você precisa é se entender!”&lt;br /&gt;Disse isso enquanto se vestia.&lt;br /&gt;Nessa hora, ela se virou de lado, cobriu-se com o lençol amarrotado e pela primeira vez envergonhou-se de estar nua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-5853174895896574127?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/5853174895896574127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/01/solidao-de-ser-so-dois.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/5853174895896574127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/5853174895896574127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2010/01/solidao-de-ser-so-dois.html' title='&quot;A solidão de ser só dois&quot;'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/S0uxAfhT9EI/AAAAAAAAAFM/5J1B22e8Lfw/s72-c/fuma%C3%A7a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-5292239502543685727</id><published>2009-12-09T10:45:00.000-08:00</published><updated>2009-12-09T10:47:14.249-08:00</updated><title type='text'>"todos os meus amigos têm sido campeões em tudo..."</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/Sx_wqFoO12I/AAAAAAAAAFE/8SpkFCM8t7g/s1600-h/l%C3%A1pis.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 294px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/Sx_wqFoO12I/AAAAAAAAAFE/8SpkFCM8t7g/s320/l%C3%A1pis.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413309882978719586" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tenho verdadeiro horror a vestibular e tudo o que se criou em torno dele. Odeio os discursos de supremacia, o elogio à competição; odeio o ódio cultivado entre os concorrentes que chegam a desejar a morte uns dos outros na esperança de sobrar uma vaga... &lt;br /&gt;O vestibular, como se tem posto, enquadra as aulas, que, diga-se, há muito não são espaços de criação e diálogo. Somos obrigados a adivinhar como a questão cairá na prova, quais as opções corretas, como operar a prova como uma máquina, e acabamos todos por nos tornar máquinas de conteúdos enciclopédicos.&lt;br /&gt;É evidente que em muitos processos seletivos já se pode notar avanços colossais, que priorizam a aplicabilidade dos conhecimentos m detrimento do “decoreba” tradicional. O que me entristece é deparar com quarenta alunos que só enxergam o Dom Casmurro como uma ponte para a Universidade.&lt;br /&gt;Outra questão digna de horror é a síndrome dos concursos públicos...&lt;br /&gt;Morando em Brasília parece natural que vivamos sob a batuta dos processos seletivos. Uma legião de “concurseiros”, armados de apostilas e legislações, vagam pela cidade com cifras nos olhos em busca de editais. Não critico o sonho de um bom emprego, de estabilidade financeira, de praia nas férias e dinheiro para o cinema; critico a fúria cega que os assola na busca de uma conta bancária recheada e não d uma profissão. Aliás, profissão, vocação, talento parecem meio fora de moda na contemporaneidade. As palavras de ordem são outras, mais economicamente viáveis. Há um notável apagamento da idéia de “serviço público”, em seu sentido último – o de servir, de “dar sua contribuição para o nosso belo quadro social”. Em lugar de serviço, carreira.&lt;br /&gt;“Os concurseiros”, uma espécie ainda carente de estudo atencioso, não escolhem as provas por afinidade, visando de que forma melhor podem “servir o público”, mas pautados pela remuneração. É claro que também são vítimas de uma sociedade que ensina desde cedo que não se ganha o segundo lugar...&lt;br /&gt;Sei que cinco mil reais conseguem minimizar a depressão diante de uma sala cinza com persiana torta, parede mofada, telefone mudo, copo d’água, carimbos e papéis; não sei, porém por quanto tempo.&lt;br /&gt;“E eu que tenho sido vil, literalmente vil” sonho utopicamente com o dia em que as provas serão abolidas e a competição desenfreada será apenas lembrança de outrora. “Estou farto de semideuses”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-5292239502543685727?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/5292239502543685727/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/12/todos-os-meus-amigos-tem-sido-campeoes.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/5292239502543685727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/5292239502543685727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/12/todos-os-meus-amigos-tem-sido-campeoes.html' title='&quot;todos os meus amigos têm sido campeões em tudo...&quot;'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/Sx_wqFoO12I/AAAAAAAAAFE/8SpkFCM8t7g/s72-c/l%C3%A1pis.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-3240020553020182080</id><published>2009-11-04T08:53:00.000-08:00</published><updated>2009-11-04T08:55:49.409-08:00</updated><title type='text'>Biografia em fragmentos III</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SvGx55WwkdI/AAAAAAAAAE8/tlcVPmNCVWg/s1600-h/zenwaw-pacman.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 285px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SvGx55WwkdI/AAAAAAAAAE8/tlcVPmNCVWg/s320/zenwaw-pacman.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400293036400873938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; - Quer jogar videogame?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe, não tenho dinheiro para fliperama...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, na minha casa, bobo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos do menino brilhavam diante do convite. Afinal, videogame era coisa de gente rica e sua pobreza não lhe permitia pensar nessas luxúrias. Videogame era caro, contentava-se em ver de vez em quando na volta do colégio, os meninos brincando no fliperama da esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, lá em casa! Minha mãe me deu um novo, tô morrendo de vontade de estrear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua maldade de criança o fez odiar por um instante aquele pequeno burguês que tinha um videogame “novo”, enquanto ele sequer tinha direito à vaidade de sonhar com um velho. No instante posterior, deu-se a pensar o que teriam eles feito com o videogame velho. Fora dado a um primo pobre, que agora já nem era mais pobre porque tinha videogame; ou entregaram para o bazar da Igreja que ajuda as crianças carentes, desprezando a sua carência de menino sem videogame; venderam mais barato para comprar o novo; não, eles não precisavam de dinheiro velho para comprar coisas novas. Essa gente rica sempre tem dinheiro, dinheiro novinho em folha, que brota em jarros cultivados no jardim de suas casas ricas. Jogaram fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Jogaram fora? Perguntou entre irritado e indignado, mas tentando disfarçar a sua raiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Sim, já estava velho, ninguém ia querer mesmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu ia querer, eu quero”, pensava o menino resignado de seu lugar distante. Procuraria nos aterros sanitários se pudesse, abriria lixo por lixo, duelando com catadores, urubus e meninos-caçadores-de-video-game-de-gente-rica. Lixo precioso. Talvez o lixeiro que recolhia todos os dias os sacos daquela casa rica tivesse percebido um peso diferente, um formato diferente. Talvez o filho do lixeiro se sentisse menos pobre por ter com que brincar. Talvez o lixeiro não tivesse percebido nada e o videogame já tivesse em cacos, triturado por máquinas que destroem coisas que algumas crianças gostariam de ter impedido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meus irmãos vem me buscar, não posso sair sem avisar! Disse consternado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então tá bom, vou correr para ter mais tempo para brincar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa hora, ele viu a sua oportunidade de entrar numa casa rica, de ver de perto os ricos, de jogar o videogame, descerem para a rua de trás. Não poderia deixar de aproveitar essa chance. Sua pobreza não lhe deu opção. Escreveu rapidamente um bilhete endereçado aos irmãos que o buscariam dentro de instantes e pendurou no alambrado da escola. Sua inocência e ambição o impediram de lembrar que era necessário escrever o endereço da casa do amigo, a fim de que os irmãos soubessem aonde buscá-lo. Não o fez. Saiu em disparada tentando alcançar o amigo rico.&lt;br /&gt;Quando cruzava a rua cheia de carros, podia sentir o bilhete voando lá atrás...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-3240020553020182080?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/3240020553020182080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/11/biografia-em-fragmentos-iii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/3240020553020182080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/3240020553020182080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/11/biografia-em-fragmentos-iii.html' title='Biografia em fragmentos III'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SvGx55WwkdI/AAAAAAAAAE8/tlcVPmNCVWg/s72-c/zenwaw-pacman.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-2298122803268537403</id><published>2009-11-04T08:47:00.001-08:00</published><updated>2009-11-04T08:49:24.255-08:00</updated><title type='text'>Biografia em fragmentos II ou Que saudades do mimeógrafo!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SvGwia1SrmI/AAAAAAAAAE0/9baVG7VwZ2s/s1600-h/estudante7la.png"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 296px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SvGwia1SrmI/AAAAAAAAAE0/9baVG7VwZ2s/s320/estudante7la.png" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400291533558820450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando olho para os meus alunos e penso: qual deles mais se parece comigo quando tinha essa idade? Difícil imaginar, todos parecem espertos demais, astutos demais. E não sei até que ponto isso é bom ou ruim. Ora invejo essas crianças que parecem atualmente chegar prontas no mundo, ora lastimo a geração que não brinca mais de mamãe-da-rua, garrafão e “cai no poço”. O fato é que não me reconheço em nenhum dos meus alunos, perto deles eu era um estranho “nerd”, se é que ainda se usa essa palavra... gíria caduca!&lt;br /&gt;Lembro de quando estava na terceira série e vi um colega (repetente e por isso maior e mais velho) portando uma carteira de cigarros. Não sei até hoje se ela fumava mesmo ou se queria apenas impressionar os menores e medrosos como eu. O que sei é que sentia que só por dividir a mesma sala com ele eu já era um fumante. Um fumante, um criminoso com oito anos de idade. Roguei a minha mãe que me livrasse do maldito vício de conviver com um fumante; carga pesada demais para mim.&lt;br /&gt;No mesmo ano, o aluno mais aplicado da turma teria sua primeira decepção. Com a disciplina de um samurai, orgulhava-me dos meus SS’s, dos vistos carimbados da professora acrescidos da inscrição com letra de normalista – “parabéns!”. Numa fatídica manhã, quando a professora devolvia as provas de matemática, pude sentir o peso de 300 quilos do MI (média inferior) que desabava sobre a minha cabeça. O mundo começava a ficar em slow motion, quase que paralisado pela vergonha da nota vermelha. Naquela hora, fiz o que qualquer homem de oito anos faria: chorei copiosamente, desbragadamente ao pensar na mancha vermelha que marcaria para todo o sempre a minha vida, e o mais grave: o meu histórico escolar. Ao ver o meu desespero, a professora chamou-me para tomar a tabuada, a que de pronto respondia, tentando ignorar os soluços convulsos que me dificultavam a fala. Certa de que eu sabia do conteúdo, a tia-professora modificou a nota, fazendo o vergonhoso MI transmutar-se em um medíocre MM, o que nem de longe me contentou. Continuei chorando. O MM de piedade não foi suficiente para apagar a vergonha por que passara. Hoje penso na falta de sensibilidade da professora que não enxergou o erro de percurso, que deu mais importância a uma menção do que ao menino do SS-parabéns-plus! Nunca mais consegui fazer uma prova de matemática tranqüilo. O medo do fracasso surgia aliado à imagem da professora questionando: três vezes três; seis vezes oito; sete vezes cinco; igual a frio na espinha, amnésia momentânea e uma notinha mediana para não cair no choro outra vez, denunciando os oito anos que não saem mais.&lt;br /&gt;Embora morasse pertinho da escola, saía de casa com pelo menos 45 minutos de antecedência. Não porque tinha medo de chegar atrasado, o que era quase impossível, mas somente para ser o primeiro da fila e pegar na mão da professora na hora de ir para a sala de aula. Pegar na mão da professora era uma honra; poder ajudá-la a carregar o seu material então era a glória. E, parafraseando Leminski, eu carregava aquelas pastas, cadernos, caixinhas, “como se portasse medalhas, uma coroa, um milhão de dólares ou coisa que os valha”. Era o rei da classe. O rei da tia-professora. &lt;br /&gt;Meu maior sonho era um dia ajudá-la a “rodar” o material da aula. Rodar o material era fazer uma espécie de impressão manual utilizando o arcaico mimeógrafo – uma máquina pesadíssima movida a litros e litros de álcool que imprimiam no branco do papel em contornos lilázes, arroxeados, os desenhos que com felicidade coloríamos e dávamos vida. Alguns coloriam desordenadamente, como rabiscos ferozes e cores inesperadas, como o meu irmão que insistia em pintar o pato de azul; outros, mais cuidadosos e nem por isso mais saudáveis, já arraigados a pequenas estruturas, perseguiam com fôlego a verossimilhança e dava ao pato cor de pato, à árvore cor de árvore. A diferença entre um e outro é que aqueles – dos patos azuis, tornaram-se adultos mais livres, estão mais à vontade na vida, sabem que a vida se colore com o lápis que se tem, compreendem bem a filosofia do limão (“se a vida te der limões, então faça uma limonada!”). Isso mesmo, ao vencedor, os limões! Os demais estão presos a um perfeccionismo, aos padrões impostos e pagam em dobro os impostos padronizados. Estes percorrem toda parte procurando a cor mais adequada, mais verossímil, a aquarela perfeita, e não se dão conta de que a corrida cega pelo caminho dito certo acaba transformando a vida num retrato em preto e branco. (Estou pensando em me lançar no mercado da auto-ajuda, menos por acreditar no meu talento na área e mais por sonhar com as cifras e com um castelo só para mim!).&lt;br /&gt;O fato é que um dia, a memorável professora deu-me o prêmio de rodar o material da aula. Entre orgulhoso e tímido, girava a manivela vendo saírem como num passe de mágica os desenhos que pintaríamos dali para frente. Sentia-me professor, irmanava-me a ela no ofício de transformar papel branco em lição, em tarefa, em letras, números, textos, em vida. Era a vida que eu via acontecer naquela hora. Um fragmento de vida na atividade prosaica de uma professora e de seu aluno que descobria como as coisas aconteciam por trás das câmeras, como se planejavam os pequenos exercícios que nos faziam compreender outras coisas, também da vida – umas mais, outras bem menos importantes. Inebriado pelo álcool, rodei o material. Naquele dia, senti-me co-autor, via um pedaço de mim nos trabalhinhos que meus colegas manejavam. E eu não pintava mais, reinava acreditando que já era professor. Sem que eu soubesse, ensaiava os passos de um futuro conflitante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-2298122803268537403?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/2298122803268537403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/11/biografia-em-fragmentos-ii.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/2298122803268537403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/2298122803268537403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/11/biografia-em-fragmentos-ii.html' title='Biografia em fragmentos II ou Que saudades do mimeógrafo!'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SvGwia1SrmI/AAAAAAAAAE0/9baVG7VwZ2s/s72-c/estudante7la.png' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-8892357741863418991</id><published>2009-10-22T08:12:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T08:31:47.014-07:00</updated><title type='text'>Sangue e sintonia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SuB63aVK1yI/AAAAAAAAAEs/LRCW7W9koCY/s1600-h/maos_dadas.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 285px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SuB63aVK1yI/AAAAAAAAAEs/LRCW7W9koCY/s320/maos_dadas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395447445969360674" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Para os meus irmãos (de sangue e de sintonia)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vez por outra me perguntam quantos irmãos eu tenho, costumo responder com uma outra pergunta: irmãos de sangue ou de sintonia? Sim porque de sangue é bem fácil responder (E são cinco, por sinal!), mas irmãos de sintonia... árdua tarefa, a lista cresce e os critérios são bem diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irmãos sanguíneos não escolhemos. Somos obrigados ao convívio – para o bem e para o mal. Dividimos a dura missão de ser família, com tudo o que essa palavra implica. As brigas por causa das roupas, pelo melhor lugar no sofá, pelo tempo no banheiro, por conta da organização das prateleiras, do guarda-roupa, da vida enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neles nos vemos e vemos tudo o que também não queremos ser. Admiramos suas virtudes e odiamos (na maioria das vezes) admitir a tietagem. Enredados numa relação complicada, somos os amigos mais leais e os inimigos mais perigosos por conhecermos os pontos fracos do oponente, além de dispor de uma interminável lista de vexames familiares e histórias de infância capazes de desmoralizar o mais idôneo pai de família. Saboreamos em volta da mesa as palavras amor, união, companheirismo, dificuldade, vitória, dor, alegria e tristeza, passando de mão em mão aquilo que é de um e é de todos. Entre irmãos não há possibilidade de esconder muito, as sombras revelam, as paredes são cúmplices e mancomunam fraternalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro que certa vez a minha mãe acusou-me de não gostar do meu irmão mais velho. Lembro também que na hora me perguntei como era possível medir o amor, como calcular em peso e medida algo tão insólito, tão inefável quanto a fraternidade? A mãe falava do seu lugar de leoa defendendo a cria, embora ela soubesse que havia amor entre nós, só que não precisava declarar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incrível como conseguimos falar tão facilmente que amamos os outros que não são família. Para amigos, namoradas, soa quase que deslizante o ‘eu te amo’ desejado. Escorre fluido e sem receios a declaração mais esperada pela humanidade: ‘eu te amo’! Eu-te-amos que pelo repetitório perdem a força expressiva, não comunicam a inteireza da entrega que é o amor.  Declaração que, no entanto, insiste em esperar do lado de fora do muro da casa da gente, torcendo ardentemente para que os gestos, os favores, a presença falem por si. Dentro de casa o amor se transforma em ajuda na lição de casa, em copo d’água, em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para além dos laços genéticos, outros são escolhidos para compor uma família cuja ligação se dá sem a força violenta do sangue. A relação se constrói, “tijolo por tijolo num desenho mágico”. A isso chamamos amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os amigos estão a todo tempo sob ameaça de esquecimento&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-8892357741863418991?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/8892357741863418991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/10/sangue-e-sintonia.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/8892357741863418991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/8892357741863418991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/10/sangue-e-sintonia.html' title='Sangue e sintonia'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SuB63aVK1yI/AAAAAAAAAEs/LRCW7W9koCY/s72-c/maos_dadas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-6892547169550094904</id><published>2009-10-13T07:01:00.000-07:00</published><updated>2009-11-15T05:57:43.010-08:00</updated><title type='text'>Eu sou um clichê!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/StSOBr5w9kI/AAAAAAAAAEk/bopz0r2vYNo/s1600-h/jovens.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/StSOBr5w9kI/AAAAAAAAAEk/bopz0r2vYNo/s320/jovens.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392090813485348418" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Querida Carol,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto falta de quando tínhamos tempo de conversar sobre as inutilidades cotidianas que enchiam nossa vida de sentido...&lt;br /&gt;Lembro com saudade de quando caminhávamos após a escola, ignorando o sol de meio-dia e as seis exaustivas aulas que nos aprisionavam temporariamente. Mas sabíamos o que era liberdade - a liberdade dos que não vivem atados aos grilhões dos boletos bancários, das contas de água, luz e telefone. Saudade da adolescência que parecia não passar e que hoje está tão distante. Se fechar os olhos, ainda me lembro da mochila jeans, dos tênis desgastados, dos cadernos de matéria que serviam para forrar o assento,para calço de mesa, para marcar o lugar na sala, além, é claro, de ser o repositório da famigerada trigonometria.&lt;br /&gt;Como o tempo passava rápido nas rodas de truco, como éramos onipotentes - cavaleiros armados: em lugar da espada e da armadura, canetas e uniforme escolar. Nossos medos eram nossos brinquedos. Com a "alma de sonhos povoada", regíamos tempestades, desafiávamos os limites do tempo, da rotina, do corpo; rasgávamos as fotos dos nossos heróis, depois colávamos os pedaços novamente.&lt;br /&gt;Sinto falta das preocupações da época, de quando nos orgulhávamos dos nossos problemas, competíamos para ver quem era o mais incompreendido. Afinal, ser adolescente é ter uma vida boa e querer lágrimas e consolo. Éramos nós mesmos os nossos analistas (freudianos, junguianos, lacanianos, sei-lá). Despejávamos teorias complexas formuladas da altura dos nossos quinze anos. E o mais incrível: vislumbrávamos algo de cura!&lt;br /&gt;Nossa revolução era um abaixo-assinado. Azar o das baleias, dos micos perseguidos, da emissão de CO2; nossa luta era contra nossos professores, contra nossos pais, contra nossa adolescência e imaturidade, enfim, contra nós mesmos. Não dá para dizer que éramos rebeldes sem causa. Nossas causas é que eram pequenas para os olhos adultos e grandes demais para os limites do nosso quarto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-6892547169550094904?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/6892547169550094904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/10/eu-sou-um-cliche.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/6892547169550094904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/6892547169550094904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/10/eu-sou-um-cliche.html' title='Eu sou um clichê!'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/StSOBr5w9kI/AAAAAAAAAEk/bopz0r2vYNo/s72-c/jovens.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-3360594948736702734</id><published>2009-09-07T20:38:00.000-07:00</published><updated>2009-09-07T20:53:53.910-07:00</updated><title type='text'>Recado para Quino</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SqXVHn89usI/AAAAAAAAAEc/EC9uwZxQJVA/s1600-h/mafalda(1).jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 295px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SqXVHn89usI/AAAAAAAAAEc/EC9uwZxQJVA/s320/mafalda(1).jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5378939656924412610" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quisera tivesse eu inventado essa menina&lt;br /&gt;E seus amigos e sua filosofia...&lt;br /&gt;E assim na tal roda viva&lt;br /&gt;Repleto, imerso estaria&lt;br /&gt;Das verdades que fala brincando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um mundo novo brotante&lt;br /&gt;Sem sopas sem burocratas&lt;br /&gt;Sem lições pregadas na parede&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou consertaria de vez esse mundo&lt;br /&gt;Ou pregaria mais um band-aid!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-3360594948736702734?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/3360594948736702734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/09/recado-para-o-quino-quisera-tivesse-eu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/3360594948736702734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/3360594948736702734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/09/recado-para-o-quino-quisera-tivesse-eu.html' title='Recado para Quino'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SqXVHn89usI/AAAAAAAAAEc/EC9uwZxQJVA/s72-c/mafalda(1).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-4874788703234946538</id><published>2009-09-07T20:25:00.000-07:00</published><updated>2009-09-07T20:37:20.092-07:00</updated><title type='text'>Anunciação</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SqXRJRe5pxI/AAAAAAAAAEU/ZKsNI7q929w/s1600-h/Anjo+gauche.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SqXRJRe5pxI/AAAAAAAAAEU/ZKsNI7q929w/s320/Anjo+gauche.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5378935287205963538" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu nasci &lt;br /&gt;o anjo Gabriel andava a anunciar&lt;br /&gt;outros nascimentos de outros rebentos&lt;br /&gt;de destinos bons por traçar&lt;br /&gt;A mãe que sonhava com o anjo mensageiro&lt;br /&gt;Deu logo de abrir o berreiro&lt;br /&gt;quando poor outro seu filho foi anunciado:&lt;br /&gt;"Sou o anjo Rafael&lt;br /&gt;No céu estava a descansar do grande fado&lt;br /&gt;de ser anjo curador do povo inteiro.&lt;br /&gt;Terás um filho e serás abançoado,&lt;br /&gt;atrapalhado e um tanto desordeiro.&lt;br /&gt;Terá no sangue a esperteza e o gingado&lt;br /&gt;como todo nascituro brasileiro.&lt;br /&gt;De alma forte, há de enfrentar guerreiro&lt;br /&gt;os moinhos ou dragões que ameaçá-lo.&lt;br /&gt;E por certo há de ter pelo caminho&lt;br /&gt;A vocação de ensinar sendo ensinado."&lt;br /&gt;A mãe que chorava demasiado&lt;br /&gt;Deu-me pois o nome de "Deus Cura"&lt;br /&gt;Em homenagem ao anjo querubim&lt;br /&gt;Em nome do Pai, do Filho e do Espírito,&lt;br /&gt;pelos séculos dos séculos sem fim"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagem: Marllon Martins&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-4874788703234946538?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/4874788703234946538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/09/anunciacao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/4874788703234946538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/4874788703234946538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/09/anunciacao.html' title='Anunciação'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SqXRJRe5pxI/AAAAAAAAAEU/ZKsNI7q929w/s72-c/Anjo+gauche.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-7861043986416267394</id><published>2009-07-30T07:22:00.000-07:00</published><updated>2009-07-30T07:25:33.578-07:00</updated><title type='text'>Das dores e delícias de ser professor</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SnGtUrnzmSI/AAAAAAAAAEE/_EjkZesIwWY/s1600-h/poetas+mortos.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 226px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SnGtUrnzmSI/AAAAAAAAAEE/_EjkZesIwWY/s320/poetas+mortos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364259201993644322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Das dores e delícias de ser professor&lt;br /&gt;A todos os meus mestres&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia sim, dia não, amanheço com vontade de desistir de ser professor. Penso que preciso livrar-me urgente da (des)ventura de gostar de ser professor. E gosto, como gosto! Para o bem e para o mal. Em algum momento conscientemente escolhi esse caminho – ou deveria dizer via crucis para irmanar-me aos discursos tão senso comum que ao longo de séculos deram ao magistério o status de sacerdócio por piedade?&lt;br /&gt;Invejo o Mr. Keating e sua coragem de rasgar os protocolos dos malditos burocratas da educação, enquanto sinto-me cada vez mais entranhado aos grilhões do que posso chamar “mercadão de disciplinas”. Enredamo-nos, nós professores, numa extensa e nebulosa relação enciclopedista, violenta, cansativa e, por diversas vezes, subumana de trabalho.&lt;br /&gt;(Querida, espero ansioso o dia em que será considerado crime aplicar prova para os alunos!)&lt;br /&gt;Tenho dito ultimamente que preciso desistir da profissão enquanto ainda posso me orgulhar do que já fiz. Pois não muito distante, vejo vir o tempo em que a mediocridade assola. E Deus sabe como a medianidade me apavora!&lt;br /&gt; Eu sempre quis ensinar-aprender a vida, sem grandes tratados, sem os apertos e sufocos das teorias totalizantes, colher o fruto da vida no auspicioso trajeto de construir saberes e experimentar sabores diversos. Quis partilhar idéias, trocar poesias que fluíam não por exibicionismo dos prodígios da memória, mas por amor ao verso, por prazer em ver e ouvir estrelas, como disse o poeta. E, para não ser de todo pessimista, creio que foi por isso que ainda não entreguei todos os pontos. Por acreditar (embora ingenuamente) no poder da poesia. Lembro-me do professor de segundo grau que nos hipnotizava ao recitar “A ave” de Jorge de Lima, propiciando uma verdadeira catarse, ainda que a nossa falta de cabedal nos impedisse de alcançar a força desse termo. Sentíamo-nos todos como a ignota ave que “ninguém sabia de onde viera”, antropomorfa como um anjo e solitária como qualquer poeta. Naquele tempo decidi ser hipnotizador também. Descobri que ser professor, tal qual o poeta, é ser solitário, sozinho nas amargas frustrações diante da impossibilidade de transformar rápida e efetivamente o mundo, diante da falência da fábula do beija-flor perante o imensurável incêndio que destrói famílias, projetos, sonhos íntimos; os deles e os meus. Era nisso que eu acreditava: na força da docência como projeto, como “pedagogia da autonomia”, que liberta os oprimidos, que devolve os reinos quem de direito. Sinto-me desamparado dessa fé inabalável, não aquela fé cega e inocente, mas a que move, que gera coragem. &lt;br /&gt;Outro dia um aluno escreveu-me dizendo que gostaria de fazer algo mais pela educação, para transformar a sua escola, a sua realidade. Suas palavras emocionaram-me de uma forma encantante. Não consegui responder ainda. Como Gandhi, preciso viver o desejo dele para que minhas palavras não soprem falsas ilusões e vagas esperanças. E assim prossigo, dia sim, dia não, acreditando que posso recomeçar e olhar o mundo de outro ângulo, quem sabe por cima das velhas carteiras da minha escola... Oh Capitain, my capitain!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-7861043986416267394?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/7861043986416267394/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/07/das-dores-e-delicias-de-ser-professor.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/7861043986416267394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/7861043986416267394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/07/das-dores-e-delicias-de-ser-professor.html' title='Das dores e delícias de ser professor'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SnGtUrnzmSI/AAAAAAAAAEE/_EjkZesIwWY/s72-c/poetas+mortos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-4530936827647874923</id><published>2009-07-30T07:15:00.001-07:00</published><updated>2009-07-30T07:22:17.743-07:00</updated><title type='text'>Divagações da meia-noite</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SnGsXwF9iFI/AAAAAAAAAD8/EpwsYwH8Dqs/s1600-h/labrador.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 264px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SnGsXwF9iFI/AAAAAAAAAD8/EpwsYwH8Dqs/s320/labrador.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364258155221846098" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Divagações da meia-noite&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto tempo depois eu achava que não doía mais tanto. Ou que de fato não doía. Equivocado, deparei-me com a dilacerante consciência da dor, mais cruel que a própria dor. E foi assim que percebi que ainda fazia falta, que ainda abalava os alicerces da memória o encontro com a desassossegada história de meio-amor que vivi há séculos.&lt;br /&gt;Odeio as suas máximas, frases prontas, recortadas de um dicionário qualquer de citações. Expressões latinas, aforismos de filósofos da puta que o pariu que enchem de dor a porra de um coração cheio de band-aids!&lt;br /&gt;“Toma um fósforo, acende o teu cigarro/o beijo amigo é a véspera do escarro!” [Gargalhadas] E não é que o desgraçado tinha razão... Em quem se pode confiar, meu caro Watson!? Watson, desce daí, Watson, não mija no tapete! Watson, cachorro maldito, deixa eu escrever sobre a merda da minha vida amorosa!!! Tá, desculpe. Eu sei que é a sua maneira de pedir atenção, carinho! Tá carente também não é, meu amigo!? Amanhã vamos passear, arranjar duas cachorras, uma pra mim, outra pra você, já que somos dois cachorros, que diferem apenas pelo grau de lealdade, de companheirismo, blá blá blá – Tudo bem, você venceu Watson!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-4530936827647874923?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/4530936827647874923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/07/divagacoes-da-meia-noite.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/4530936827647874923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/4530936827647874923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/07/divagacoes-da-meia-noite.html' title='Divagações da meia-noite'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SnGsXwF9iFI/AAAAAAAAAD8/EpwsYwH8Dqs/s72-c/labrador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-6309320259311929868</id><published>2009-03-12T13:12:00.000-07:00</published><updated>2009-03-12T13:13:22.141-07:00</updated><title type='text'>"A arte ensina à vida o seu dever..."</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Fico impressionado e cada vez mais convencido do poder da arte de nos fazer enxergar a realidade de uma maneira diferenciada (mais alta. Mais certa?). Por meio dela percebemos que a inventividade, a imaginação não se configura como mentira, mas como um universo alternativo, justamente para nos forçar a ver o que nos era negado – pelo outro e por nós mesmos. Nas palavras de Pessoa: “&lt;i style=""&gt;eu simplesmente sinto com a imaginação”&lt;/i&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Num primoroso conto de Monteiro Lobato (“Duas cavalgaduras”), um leitor fictício numa certa altura da narrativa pergunta ao narrador: &lt;i style=""&gt;“Mas isto, afinal de contas, é vida ou romance?”&lt;/i&gt;. Ao que ele responde: &lt;i style=""&gt;“Grande tolo... É a vida com a lição da arte. A arte corrige a vida, dizendo-lhe: se não és assim, fera, devias sê-lo; se não procedeste assim, harpia, devias ter procedido (...) A arte ensina à vida o seu dever.&lt;/i&gt;” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Penso isso pela dificuldade em que me vejo muitas vezes ao discutir tal assunto com alunos – esse potencial de suspensão de uma realidade material, palpável, mas que mantém a todo momento comprometimento com ela, ainda que fale das coisas mais absurdas. Desse modo, o mundo coberto de preás de Baleia, os gigantes-moinhos de Dom Quixote, os baobás e as rosas do pequeno Príncipe nos apontam a supremacia de sonhar a vida. Na leitura experimentamos um eixo interminável de possibilidades de existir, seja na identificação com as personagens, seja na intromissão ao julgar as traição e transações de outras vidas que não a nossa, de outras dores que não as nossas. E prosseguimos lendo e alimentando essa máquina preguiçosa que é o texto (como afirma Umberto Eco), dando forma às diversas encadernações em que podemos existir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-6309320259311929868?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/6309320259311929868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/03/arte-ensina-vida-o-seu-dever.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/6309320259311929868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/6309320259311929868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/03/arte-ensina-vida-o-seu-dever.html' title='&quot;A arte ensina à vida o seu dever...&quot;'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-5628889054270303440</id><published>2009-03-10T14:17:00.000-07:00</published><updated>2009-03-10T21:18:47.599-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jazz'/><title type='text'>Das reflexões sobre o Jazz</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SbbZXMKyvrI/AAAAAAAAADM/Se59MJw8mqg/s1600-h/jazz.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5311671802956791474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 222px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SbbZXMKyvrI/AAAAAAAAADM/Se59MJw8mqg/s320/jazz.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Da janela podia ver o espaço ainda verde com três grandes árvores, uma grama imensa e molhada pelo sereno que sucedia a chuva caudalosa de horas atrás. Senti pena ao saber que ali construiriam um novo prédio. Barulhos, cimento, buracos... sufocariam a única possibilidade de vida que me restava para ver. Surpreendi-me com a sensibilidade que me acometia. Busquei a minha própria vida, ou o que restava dela como alento. Vida de plástico, puro polímero degradado pela fumaça do cigarro que subia branca e lenta, enquanto Ella cantava e se espalhava na sala quase escura. A vida era a falta. Faltava-me o vinho, faltava-me o whisky, nada mais que duas cervejas velhas na geladeira eram o que eu tinha para fingir a secura doce do vinho e a embriaguez do whisky. Serviriam no momento. O que eu mais sabia era fingir, por isso a falta. Lembrei-me de Caio Fernando Abreu: “existe sempre uma coisa ausente que me atormenta”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ella cantava e ela sumira deixando apenas os discos que eu aprendera a ouvir e pelos quais eu podia ouvi-la. Foi-se deixando espaços livres no meu dia. Agora eu me dedicava a olhar o espaço-tempo pela janela do apartamento, contemplando a ausência iminente da verde grama e das três árvores companheiras, maldizendo a planta de plástico inerte perto da janela, sempre a denunciar a minha vida descartável, sofrendo o jazz rasgado que doía, morrendo aos cigarros que ardiam na garganta. Senti-me triste ao olhar as árvores, inconscientes de sua morte tão próxima. E num momento pensei que na verdade eu é que era digno de piedade. As árvores podem viver a sua totalidade justamente por não terem consciência do seu fim. [Elas simplesmente são.] Eu, do contrário, estava condenado a experimentar a certeza do fim. E qualquer dor já era o fim. Via-me pequeno e sentia a morte gota a gota – a morte da ausência, a morte da solidão jazzeada, a morte do pensamento que só quer morrer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Desde então aprendo muito com aquelas árvores. Acompanhar o seu dia-a-dia têm sido todos os meus dias. Olho-as como quem quer partilhar os últimos dias de um doente em fase terminal. Sei que é, na verdade, para disfarçar o meu próprio fim. Definho como um Narciso diante do espelho verde. E sempre que posso (ou quando sinto insuportável saudade do amor?) desço após as chuvas para molhar-me na umidade dos seus galhos e da relva que se estende como uma extensão dos troncos altos e firmes. E de lá ainda posso ouvir Ella cantando, o queimar do cigarro no parapeito, e o mais doloroso, aqueles passos se distanciando. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-5628889054270303440?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/5628889054270303440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/03/das-reflexoes-sobre-o-jazz.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/5628889054270303440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/5628889054270303440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/03/das-reflexoes-sobre-o-jazz.html' title='Das reflexões sobre o Jazz'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SbbZXMKyvrI/AAAAAAAAADM/Se59MJw8mqg/s72-c/jazz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-8994659260610434000</id><published>2009-02-26T14:45:00.000-08:00</published><updated>2009-02-26T15:26:53.443-08:00</updated><title type='text'>Sobre 174 e outros "invisíveis"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SackYLvyO-I/AAAAAAAAAB0/FAIO6THFLgU/s1600-h/onibus-174-2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 256px; height: 208px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SackYLvyO-I/AAAAAAAAAB0/FAIO6THFLgU/s320/onibus-174-2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307250683768093666" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Na última semana tive a feliz oportunidade de rever o documentário de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;João Padilha&lt;/span&gt;, “Ônibus &lt;st1:metricconverter productid="174”" st="on"&gt;174”&lt;/st1:metricconverter&gt;. Fiquei novamente estarrecido com o grau de problematização com que o diretor conseguiu explorar a trágica jornada de Sandro do Nascimento, jovem de 21 anos que, numa tarde no centro do Rio de Janeiro, invadiu um ônibus e manteve vários reféns por mais de quatro horas inteiras sob a mira do seu revólver e das câmeras de todo o Brasil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;A simples resistência a um maniqueísmo (característico de um “Tropa de Elite”, por exemplo) já seria o suficiente para que o documentário merecesse elogios. A capacidade de mostrar o sequestro do ônibus de forma estrutural, pensando a relação entre um “fatídico evento” isolado e toda uma sociedade, que se equilibra a todo o tempo entre a tensa linha do moderno e do arcaico, do progresso e do atraso, faz-nos enxergar o problema de maneira sistêmica.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;O Sandro do Nascimento, como afirma um dos estudiosos que figuram no documentário, é um dos meninos invisíveis lutando contra essa "invisibilidade" a que a condição de marginal lhe relega. Uma invisibilidade no tocante à cidadania, posto que no dia-a-dia eles são bastante evidentes, a ponto de fazer fechar os vidros dos carros, trocar de faixa, fechar as cotinas e trancar mais um cadeado - paradoxalmente, uma invisibilidade que amedronta, que incomoda, que aterroriza.  O ato do "menino invisível", no centro do Rio de janeiro, sob a mira da mídia e da imprensa mundial, é o grito de uma horda de miseráveis que clama por algum tipo de atenção, um soco no estômago, como toda pobreza, que como afirma Rodrigo SM, personagem-narrador de Clarice Lispector em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A hora da estrela&lt;/span&gt;, é "feia e promíscua".&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Inevitável foi ver o documentário e não me lembrar de Rubem Fonseca, do realismo feroz e dilacerante de sua literatura, que narra frequentemente histórias de tantos "Sandros" e de seus insucessos, tal como em "O Cobrador", outro grito social escancarado de um homem que se rebela contra toda e qualquer cobrança de uma sociedade que só lhe tira, só lhe toma. No consultório dentário, ao afirmar que não iria pagar a conta e diante da resistência do dentista, a narrativa prossegue:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Odeio dentistas, comerciantes, advogadas, industriais, funcionários, médicos, executivos, essa canalha inteira. Todos eles estão me devendo muito. Abri o blusão, tirei o 38, e perguntei com tanta raiva que uma gota de meu cuspe bateu na cara dele, -- que tal enfiar isso no teu cu? Ele ficou branco, recuou. Apontando o revólver para o peito dele comecei a aliviar o meu coração: tirei as gavetas dos armários, joguei tudo no chão, chutei os vidrinhos todos como se fossem balas, eles pipocavam e explodiam na parede. Arrebentar os cuspidores e motores foi mais difícil, cheguei a machucar as mãos e os pés. O dentista me olhava, várias vezes, deve ter pensado em pular em cima de mim, eu queria muito que ele fizesse isso para dar um tiro naquela barriga grande cheia de merda.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu não pago mais nada, cansei de pagar!, gritei para ele, agora eu só cobro!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;span style=""&gt;Digo, dentro da minha cabeça, e às vezes para fora, está todo mundo me devendo! Estão me devendo comida, buceta, cobertor, sapato, casa, automóvel, relógio, dentes, estão me devendo."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Impossível não concordar com o personagem de Rubem Fonseca. Todos eles, todos nós estamos lhes devendo muito. E uma hora eles aparecem para cobrar o que lhes é de direito. "Só rindo"&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-8994659260610434000?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/8994659260610434000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/02/sobre-174-e-outros-invisiveis.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/8994659260610434000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/8994659260610434000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/02/sobre-174-e-outros-invisiveis.html' title='Sobre 174 e outros &quot;invisíveis&quot;'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SackYLvyO-I/AAAAAAAAAB0/FAIO6THFLgU/s72-c/onibus-174-2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-7024026062727362953</id><published>2009-02-23T12:15:00.000-08:00</published><updated>2009-02-23T12:20:25.107-08:00</updated><title type='text'>Crônica sobre  o amor (ou sobre o que sei do amor...)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SaME-bUp7gI/AAAAAAAAABk/0OB7QZgkxc0/s1600-h/ahoradaestrela.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px; height: 190px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SaME-bUp7gI/AAAAAAAAABk/0OB7QZgkxc0/s320/ahoradaestrela.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306090256505368066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;“Eu lanço minha alma no espaço,&lt;br /&gt;Você pisa os pés na terra&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;(...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Eu grito por liberdade,&lt;br /&gt;Você deixa a porta se fechar.&lt;br /&gt;Eu quero saber a verdade&lt;br /&gt;E você se preocupa em não se machucar”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;(Moska. A seta e o alvo)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:10;" &gt;Não sei exatamente quando nós deixamos de acreditar no amor perfeito, no mito do príncipe e da princesa encantados. Quando deixamos de construir castelos e tecer sonhos amorosos? Quando começamos a enxergar que o amor pode estar mais longe do que pensávamos? A impressão que tenho é de que essa crença dura cada vez menos tempo. Talvez estejamos sendo bombardeados demais pelas histórias de fracassos. Talvez estejamos sendo esmagados pelos discursos atuais de relacionamentos modernos, de liberdade, de autonomia. Discursos que geralmente escamoteiam a fragilidade de uma vida desencontrada, de histórias interrompidas, de desencontros. É preciso investigar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:10;" &gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Esfregar em nossa cara os incontáveis casos de amor que não deram certo tem sido o esporte preferido daqueles que teimam em achar que, desacreditando na felicidade de um relacionamento, estarão imunes aos insucessos e desventuras que vida nos prega. Pelo contrário, adiar a labuta é protelar as chances de encarar o real da vida. O caminho talvez devesse ser outro – não desmitificar de vez o amor e fazer dele algo &lt;i style=""&gt;démodé, &lt;/i&gt;mas dar a César o que é de César, ou seja, discutir com mais lucidez o que vem depois do “felizes para sempre...”&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:10;" &gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:10;" &gt;Precisamos acreditar mais no amor, não o Cortez medieval, o romântico idealizado, o platônico inacessível, que criaram o estereótipo desse sentimento complicado, mas o amor do cotidiano de Chico Buarque, do café e do conflito, do açúcar e do afeto, da luta diária e árdua das vidas que se sustentam e se transmutam. Precisamos, sobretudo descobrir que amor se constrói, como se dá em qualquer tipo de convivência, qualquer tipo de relacionamento. O que muda quando se fala em amor é que estamos embebidos de uma carga histórica marcada por um romantismo “água com açúcar”, o mesmo que levou Emma Bovary ao fim, que nos impede de enxergar com mais clareza que o amor pode ser simples.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:10;" &gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Li certa vez uma frase com força de sentença que me deixou bastante intrigado: “no fundo não somos tão compatíveis”. A frase me soou de início um tanto perigosa, queria talvez ser um ultimato, definitivo e irrevogável. Depois, pensando melhor nela percebi que era equivocada. O que chamavam de compatibilidade era na verdade semelhança, parecença, similitude. E, graças aos deuses, no fundo, no fundo mesmo, ninguém é parecido com ninguém. No fundo, no fundo mesmo, ninguém tem uma afinidade muito grande com ninguém. Nós aprendemos a parecer, a gostar do mesmo que o outro gosta, a responder o que o outro quer ouvir, a responder aos estímulos que o outro produz. Pois no fundo o que queremos é namorar nós mesmos, queremos projetar no outro as nossas expectativas, imprimir a nossa configuração e, por fim, ler o enredo que escrevemos com as letras douradas da ilusão. Voltamos, pois, a idealização.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Ser compatível, como o próprio dicionário registra, é “conciliar, coexistir, suportar”, o que é totalmente possível quando se fala de amor. Esse é o discurso que precisa animar a juventude descrente das questões amorosas – um amor que faz coexistir a seta e o alvo, cada um com sua particularidade, com seu modo ser no mundo. Um amor que concilia, não apaga as diferenças, não esconde as arestas, não escamoteia as sobras e as faltas, os desacertos, que inclusive, integram a idéia do amor total, posto que ele é também um lugar de aprendizado. Para lidar bem com o outro é preciso lidar bem conosco primeiro. Como disse Drummond, é preciso trilhar a difícil, “dangerosíssima” viagem de si a si mesmo”, e prosseguir “descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas a perene, insuspeitada alegria de com-viver”. Dessa maneira, nos aproximamos do amor (em linguagem de dicionário) como “viva afeição que nos impele para o objeto dos nossos desejos”, que sabe conciliar, coexistir, por vezes suportar, enfim, com-viver.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-7024026062727362953?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/7024026062727362953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/02/cronica-sobre-o-amor-ou-sobre-o-que-sei.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/7024026062727362953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/7024026062727362953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/02/cronica-sobre-o-amor-ou-sobre-o-que-sei.html' title='Crônica sobre  o amor (ou sobre o que sei do amor...)'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SaME-bUp7gI/AAAAAAAAABk/0OB7QZgkxc0/s72-c/ahoradaestrela.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-3033521029399816084</id><published>2009-02-23T12:08:00.001-08:00</published><updated>2009-02-23T12:09:29.859-08:00</updated><title type='text'>África em mim</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SaMCbXJ1HMI/AAAAAAAAABU/2hYg4i5E6sc/s1600-h/conciencia_negra1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 230px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SaMCbXJ1HMI/AAAAAAAAABU/2hYg4i5E6sc/s320/conciencia_negra1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306087455067544770" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;Foi assim:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;Eu a via todas as manhãs sem que ela me visse. Não fisicamente, é claro, pois estávamos quase sempre lado-a-lado. Ela, uma Rainha Africana dos reinos de Songhai, Mali, Gana, tanto faz, superior em sua realeza, e eu ensaiando uma postura tímida de súdito, esgueirando-me por entre colunas e pilastras anímicas para entrevê-la sempre ao longe. E via. Via do Saara por mim criado, num Sahel refugiado, mas via.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;(Uma pausa para Chico: “Passas em exposição/ Passas sem ver teu vigia, catando a poesia que entornas no chão...”)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;Via. Primeiro monalisticamente a insistir no seu quase-rir, depois de tempos sorria já meio de lado, como que tímida ou discreta, um tanto misteriosa, como é próprio de uma figura Soberana. Ainda assim o sorriso fulgurava e ganhava espaço uma gargalhada quase sisuda e imponente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;Sentado ao seu lado, refugiava-me em intermináveis leituras para evitar a gagueira e o desconserto que me acometiam quando nos falávamos. Adolescentemente sentia espinhas imaginárias crescerem por todo o meu rosto denunciando meu deslocamento. Ensaiei duas ou três vezes. Resolvia arriscar e lhe falei... da vida, das dores, das fraquezas, do medo da depressão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;(Inventei uma história — o enredo ainda me foge um pouco, mas os fios vão sendo trançados aos poucos, antes que o vento do esquecimento me leve esta fábula tristonha: ‘Era uma vez uma Princesa do Reino de Ndongo, com colares de Marfim, vestida de noite de lua cheia, sorriso de brilhantes...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;É assim:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;Eu começava a falar, ela completava. Parecia me roubar as palavras à boca. Tentava adivinhar o que ela adivinharia dos meus gostos, das minhas músicas, das minhas comidas, das manias na próxima frase. Esbocei um gesto, soou prematuro. Recuei sem tocar-lhe a mão, mas sentia sua textura, guardava o possível aroma de pitanga madura em meu bolso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;(...vivia solitária e pedia aos Orixás o presente de amar. Zambi ouvia suas preces, bebia suas lágrimas e lhe negava um amor terreno por ciúme da bela princesa. Queria-a só para si...) &lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;Assim será :?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;Dificultosamente rompi as barreiras e os engasgos, toquei-a. O suficiente para buscar o futuro: Eu lhe recitava as poesias pela manhã, ela paciente ouvia, embora não gostasse: “Tu que me deste o teu carinho/ que me deste o teu cuidado,/ acolhe ao peito, como o ninho acolhe o pássaro cansado,/ O meu desejo incontentado”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Eu admirava sua cumplicidade, ela elogiava a minha entrega. Beatles, Janis, João Gilberto, Noel Rosa conviviam no espaço-tempo da nossa musicalidade. Buscávamos o transcendental para além dos manuais e doutrinas e toda conversa era um mistério que se me revelava dos Impérios distantes de Tombuctu, Gao ou Djenné. Geograficamente descobria que havia mais vida do que podia jorrar do pulso latente. Ela, uma vida em seus segredos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;(... A Princesa-pantera desfalecia de chorosa, até que suspirou pela última vez, ainda desejando um sopro de vida vindo do Amor. Dos seus negros e brilhantes olhos Zambi fez sementes e plantou a árvore da solidão dos homens, e ia todas as manhãs colher os frutos que brotavam como lágrimas de um choro renitente.)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;E orávamos: ‘Deus dos Sem-Deuses, dá-nos o sorriso de cada dia para sempre alegrarmo-nos um no outro. Amém’. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-3033521029399816084?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/3033521029399816084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/02/africa-em-mim_1140.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/3033521029399816084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/3033521029399816084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/02/africa-em-mim_1140.html' title='África em mim'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SaMCbXJ1HMI/AAAAAAAAABU/2hYg4i5E6sc/s72-c/conciencia_negra1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-4231133581261383286</id><published>2009-02-18T06:01:00.000-08:00</published><updated>2009-02-18T06:29:33.487-08:00</updated><title type='text'>Biografia em fragmentos I</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SZwbQ_o0RzI/AAAAAAAAAAo/Gort9A9ds1Y/s1600-h/10_jiboia.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 220px; height: 220px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SZwbQ_o0RzI/AAAAAAAAAAo/Gort9A9ds1Y/s320/10_jiboia.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304144439910090546" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;"Culpava a infância pelos insucessos e fracassos da vida adulta. Queria ter como próprio Freud, não fosse o mero detalhe de ele ter morrido há mais de sete décadas. Não fizera a pré-escola, por isso complicava-se com direito e esquerdo, a lateralidade que a tia deveria ter ensinado aos que brincam de corre-cutia durante anos na escolinha colorida de borracha. Trancara-se no quarto desenhando, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;a la Exupèry, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;jibóias que engoliam elefantes, abelhas que pareciam anjos, anjos que eram pura garatuja; por isso não aprendera o futebol e sentia-se deslocado às quatro da tarde dos domingos, quando os amigos se reuniam para ver os intermináveis e sempre iguais campeonatos na televisão. Ou ia apenas pela cerveja e parafraseava os comentários berrados.&lt;br /&gt;Lembrava-se muito mal da mangueira no quintal, grande e generosa em frutos, em sombra, em brinquedos que qualquer criança saberia inventar nela e com ela. Ressentia-se de não ter lido em criança "Meu pé de laranja lima". Talvez o ajudasse a estabelecer contato com a  árvore. Só fora ao circo aos vinte e tantos anos.  Chorou a felicidade de ver seus preconceitos virem abaixo quando o palhaço lhe arrancou um sorriso esfuziante. O aperto no peito acompanhava a tensão dos acrobatas. Voou sem sair do lugar.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A infância parecia-lhe uma manhã, dessas em que se acorda às dez e quando menos se percebe já é hora do almoço, iniciando a tarde. Não sabia ou não queria saber, porém, que o esquecimento é também uma forma de memória, e que, se quisesse, poderia visitá-la. Lembraria oportunamente do cheiro de mate e pão com menteiga, da barriga enconstada no chão quente da calçada de casa ao ver os carros passarem na rodovia, pensando alto: "Este é o meu!". Lembraria com certeza da história do Barba Azul, contada pela doce professora, ou do cheiro de gordura da massa de modelar feita em sala de aula, do tempo de pai e mãe inteiros, sem gritos. De repente ele descobriria que o esquecimento é na verdade seu álibi diante das fraquezas. Preferia, no entanto, acordar às dez para não ver o dia começar com a luz e a lucidez do sol."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-4231133581261383286?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/4231133581261383286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/02/biografia-em-fragmentos-i.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/4231133581261383286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/4231133581261383286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/02/biografia-em-fragmentos-i.html' title='Biografia em fragmentos I'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/SZwbQ_o0RzI/AAAAAAAAAAo/Gort9A9ds1Y/s72-c/10_jiboia.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-1216252094100539708</id><published>2009-02-18T05:38:00.000-08:00</published><updated>2009-02-18T05:41:51.222-08:00</updated><title type='text'>Homenagem a Leminski</title><content type='html'>quando eu tiver setenta anos&lt;br /&gt;então vai acabar esta minha adolescência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vou largar da vida louca&lt;br /&gt;e terminar minha livre docência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vou fazer o que meu pai quer&lt;br /&gt;começar a vida com passo perfeito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vou fazer o que minha mãe deseja&lt;br /&gt;aproveitar as oportunidades&lt;br /&gt;de virar um pilar da sociedade&lt;br /&gt;e terminar meu curso de direito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;então ver tudo em sã consciência&lt;br /&gt;quando acabar esta adolescência&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-1216252094100539708?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/1216252094100539708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/02/homenagem-leminski.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/1216252094100539708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/1216252094100539708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/02/homenagem-leminski.html' title='Homenagem a Leminski'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7206116761120569288.post-7344529306735060847</id><published>2009-02-18T05:03:00.000-08:00</published><updated>2009-02-18T05:04:18.592-08:00</updated><title type='text'>Homenagem a Guimarães Rosa</title><content type='html'>"Eu quase que nada sei, mas desconfio de muita coisa"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7206116761120569288-7344529306735060847?l=casadoquengo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadoquengo.blogspot.com/feeds/7344529306735060847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/02/homenagem-guimaraes-rosa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/7344529306735060847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7206116761120569288/posts/default/7344529306735060847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadoquengo.blogspot.com/2009/02/homenagem-guimaraes-rosa.html' title='Homenagem a Guimarães Rosa'/><author><name>Rafael Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11442073362338175577</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_0usKi4K6Tzo/TNcyBZylEbI/AAAAAAAAAGw/07gO9NRbR7c/S220/SAM_1820.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
